Levantamento
Porto Alegre tem parte de postos com falta de combustíveis e racionamento; diesel é o mais afetado
Zero Hora esteve em 23 estabelecimentos nas regiões Norte, Sul, Leste e central na manhã deste sábado (21)


Ao menos nove de 23 postos de combustíveis visitados por Zero Hora em Porto Alegre apresentam falta de produtos ou adotam racionamento, especialmente no diesel. O cenário foi verificado em diferentes regiões da Capital na manhã deste sábado (21).
Em nota enviada a Zero Hora no início da tarde, o Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis do RS, manifestou "preocupação quanto ao ambiente apreensivo que o mercado de combustíveis está apresentando neste momento." Acrescentou que tem mantido "contato constante com órgãos públicos e distribuidoras, buscando minimizar as dificuldades de abastecimento" (leia a íntegra no fim do texto).
Na Zona Sul, a reportagem esteve em postos do bairro Cristal e Tristeza, e na Zona Leste, no Partenon e Agronomia. Já na Zona Norte, os estabelecimentos visitados ficam nos bairros São Geraldo, Floresta e Passo d'Areia. Zero Hora circulou ainda por postos do Centro Histórico, Auxiliadora, Menino Deus, Praia de Belas, Azenha e Santana.
O diesel é o combustível mais afetado, com relatos de dificuldade na reposição. Os preços do S10 variam entre R$ 6,79 e R$ 7,89 o litro nos locais pesquisados. Já a gasolina comum, a aditivada e o etanol seguem, em geral, com abastecimento normal na maioria dos postos visitados, sem registro de desabastecimento significativo.
Na Zona Norte, no entanto, um posto na Avenida Farrapos, na esquina com a Avenida Cairú, estava nesta manhã sem gasolina comum, aditivada, etanol e diesel S10. No local, havia apenas uma quantidade reduzida de diesel comum.
Segundo funcionários, um carregamento de 3 mil litros de gasolina comum foi recebido na quinta-feira (19), mas se esgotou no mesmo dia. A expectativa é de que o reabastecimento ocorra ainda neste sábado, sem previsão de horário.
No Centro Histórico, um posto na Rua Alberto Bins chegou a ficar sem gasolina comum e aditivada durante a madrugada, aguardando a chegada de um novo carregamento.
Restrições na compra e venda
Mais cedo, a reportagem esteve em postos nos bairros Cristal, Tristeza, Menino Deus, Praia de Belas e Azenha. Em parte deles, o principal problema é o diesel. Em pelo menos três estabelecimentos da Zona Sul, havia relatos de que a entrega racionada vem dificultando o abastecimento.
Um posto na Avenida Icaraí, no bairro Cristal, vem restringindo a venda de diesel apenas para clientes conveniados, como veículos da Brigada Militar. O estabelecimento aguardava reposição desde sexta-feira.
Num posto na Avenida Plinio Brasil Milano, no bairro Auxiliadora, funcionários relataram que costumam pedir carregamento de 30 mil litros de gasolina, mas tem conseguido, no máximo 10 mil litros.
Zona Sul
Nos bairros Cristal e Tristeza, seis postos foram verificados. Em um deles, faltava diesel; em outro, havia racionamento. Um posto na Wenceslau Escobar operava normalmente, com gasolina comum a R$ 6,59 o litro.
Em outro endereço da mesma avenida, a previsão era de reposição de gasolina e diesel ainda neste sábado. Já um posto da mesma região chegou a ficar sem gasolina aditivada e diesel, com expectativa de reabastecimento ao longo do dia.
Zona Norte e Centro
Na região Norte, além do posto da Farrapos, outro estabelecimento no bairro Floresta registrou racionamento e redução no volume de entregas. Em alguns casos, a quantidade recebida caiu de 5 mil para 3 mil litros por carga. No Centro Histórico, de dois postos verificados, um apresentava falta de gasolina. Em outros bairros, como Santana e Azenha, não havia falta de combustíveis.
Zona Leste
Nesta região, a reportagem esteve em quatro postos, nos bairros Partenon e Agronomia. Em um posto, no Partenon, na Avenida Ipiranga, o relato é de aquisição racionada de combustíveis, especialmente o diesel. No entanto, não havia falta de produto. Em outro, na Avenida Bento Gonçalves, no mesmo bairro, funcionários relataram que houve falta de gasolina e diesel na sexta-feira.
O que diz o Sulpetro
"Os postos de combustíveis do Rio Grande do Sul estão sentindo o impacto das restrições causadas pela crise que atingiu o setor produtivo de petróleo (refinarias) e o fluxo de estoque das distribuidoras. A informação é do Sulpetro ― entidade que representa o setor no Estado ―, com base nos relatos de revendedores de combustíveis associados à instituição.
A crise global desencadeada pela guerra no Oriente Médio afetou diretamente os preços internacionais, restringindo a importação dos produtos. A importação tem forte impacto no suprimento da demanda, haja vista que a Petrobras não atende 100% do mercado com produto refinado. A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) atende, além do RS, outros estados, não sendo sua produção destinada exclusivamente para os gaúchos.
Com o aumento da demanda sobre os produtos refinados, a Petrobras está impondo cotas para a retirada de produtos pelas distribuidoras, o que afeta o mercado revendedor da seguinte forma:
- Priorização de atendimento das redes contratadas, com restrição de cota;
- Redução de oferta a mercados não contratados (TRR e postos bandeira branca);
- Redução das cotas por carregamento e aumento de fluxo de frete.
Este cenário causa forte oscilação nos fluxos de estoque, causando imprevisibilidade de oferta aos postos, o que atinge diretamente o consumidor.
Como segmento representante da categoria empresarial que presta um serviço essencial à sociedade e que comercializa commodities, o Sulpetro manifesta preocupação quanto ao ambiente apreensivo que o mercado de combustíveis está apresentando, neste momento, e informa que tem estado em contato constante com órgãos públicos e distribuidoras, buscando minimizar as dificuldades de abastecimento."