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Postos seguem sem combustíveis e gasolina beira os R$ 7 em Porto Alegre: "Está ficando inviável trabalhar"

Dos 16 estabelecimentos visitados pela reportagem nesta segunda-feira em Porto Alegre e Região Metropolitana, cinco registraram escassez de algum tipo. Todos eles na Capital

23/03/2026 - 13h50min


Guilherme Milman
Guilherme Milman
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Neimar De Cesero/Agencia RBS
Desde sexta-feira (20) o preço da gasolina comum e aditivada vem aumentando em parte dos postos.

A falta de combustíveis e o aumento nos preços seguem afetando motoristas em postos de Porto Alegre e Região Metropolitana. Dos 16 estabelecimentos visitados pela reportagem nesta segunda-feira (23) cinco registraram escassez de algum tipo de combustível. Todos eles na Capital.

O problema no abastecimento decorre da guerra no Oriente Médio, com a restrição na compra do petróleo por causa da interrupção da passagem dos navios no Estreito de Ormuz. 

Inicialmente, o impacto era maior no óleo diesel. Nos últimos dias, a gasolina e o etanol também começam a chegar nos postos em menor quantidade.

Porto Alegre

Foram visitados postos nas zonas norte, sul, leste e central. Em um posto na Avenida Severo Dullius, na Zona Norte, não havia gasolina comum nem etanol. O estabelecimento já vinha registrando escassez de combustíveis na semana passada.

— Eu vim abastecer, mas já sabia que esse posto especificamente tem tido esse problema. Agora eu vou seguir para Canoas na expectativa de, ali na Avenida Getúlio Vargas, encontrar algum posto ao longo com a opção de etanol ou gasolina comum —  afirma a servidora federal Luiza Vlasak.

Em um posto da Avenida Farrapos esquina com a Avenida Cairu, também na Zona Norte, havia falta de gasolina aditivada e também de etanol. A ausência do álcool também foi registrada em um posto da Farrapos com a Almirante Barroso, na região central, e na Avenida Wenceslau Escobar, na Zona Sul, onde a aditivada também já está no final. Já em um posto da Avenida Icaraí operava com a ausência de diesel. A última carga foi entregue no estabelecimento na terça-feira passada.

Aumento do preço

Desde sexta-feira (20) o preço da gasolina comum e aditivada vem aumentando em parte dos postos. Em um estabelecimento na Avenida Bento Gonçalves, Zona Leste, passou de R$ 5,99 para R$ 6,55 no intervalo de duas semanas.

Na avenida Farrapos, alguns locais já estão com a comum próxima dos R$ 7, e a aditivada passando dessa marca. O motorista de aplicativo Kleber Rodrigo diz que o atual cenário o impede de trabalhar.

— Tá ficando inviável trabalhar com um aplicativo hoje na rua, porque os valores repassados para os motoristas estão muito baixos. E como a gasolina agora foi pra quase R$ 7 não está viável, não tem nem como arrancar. A princípio não vou trabalhar mais, botei só um combustível aqui pra ir pra casa — desabafa.

Região Metropolitana

Nos seis postos visitados pela reportagem na Região Metropolitana não houve registro de falta de combustíveis. Foram estabelecimentos localizados nas margens da BR-116 em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio e Canoas.

Nesses locais, o preço da gasolina comum varia entre R$ 6,59 e R$ 6,89. Já em um posto de Novo Hamburgo, o diesel chega a custar R$ 7,39.

O que diz a Sulpetro

A entidade que representa os postos de combustíveis no Rio Grande do Sul enviou uma nota no sábado (21) relatando preocupação quanto às dificuldades no mercado. Procurada nesta segunda-feira, a entidade afirmou que não há novos posicionamentos. Veja a nota: 

Os postos de combustíveis do Rio Grande do Sul estão sentindo o impacto das restrições causadas pela crise que atingiu o setor produtivo de petróleo (refinarias) e o fluxo de estoque das distribuidoras. A informação é do Sulpetro ― entidade que representa o setor no Estado ―, com base nos relatos de revendedores de combustíveis associados à instituição.

A crise global desencadeada pela guerra no Oriente Médio afetou diretamente os preços internacionais, restringindo a importação dos produtos. A importação tem forte impacto no suprimento da demanda, haja vista que a Petrobras não atende 100% do mercado com produto refinado. A Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) atende, além do RS, outros estados, não sendo sua produção destinada exclusivamente para os gaúchos.

Com o aumento da demanda sobre os produtos refinados, a Petrobras está impondo cotas para a retirada de produtos pelas distribuidoras, o que afeta o mercado revendedor da seguinte forma:

Priorização de atendimento das redes contratadas, com restrição de cota;

Redução de oferta a mercados não contratados (TRR e postos bandeira branca);

Redução das cotas por carregamento e aumento de fluxo de frete.

Este cenário causa forte oscilação nos fluxos de estoque, causando imprevisibilidade de oferta aos postos, o que atinge diretamente o consumidor.

Como segmento representante da categoria empresarial que presta um serviço essencial à sociedade e que comercializa commodities, o Sulpetro manifesta preocupação quanto ao ambiente apreensivo que o mercado de combustíveis está apresentando, neste momento, e informa que tem estado em contato constante com órgãos públicos e distribuidoras, buscando minimizar as dificuldades de abastecimento.

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