Zona norte de Porto Alegre
Trecho da Assis Brasil com motofaixa registra aumento de 14% no número de acidentes, aponta primeiro relatório da EPTC
Documento enviado para a Secretaria Nacional de Trânsito considera o período entre outubro e dezembro e utiliza como base de comparação a média dos últimos cinco anos para os mesmos meses, conforme critério da Senatran


O primeiro relatório sobre a motofaixa da Avenida Assis Brasil, enviado à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), aponta aumento de 14% nos acidentes envolvendo motocicletas nos três primeiros meses de funcionamento. O documento é elaborado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), que considera cedo para fazer avaliações sobre o novo espaço.
— A gente tem muita cautela com os números, porque os resultados são multifatoriais, e funcionam como um eletrocardiograma. Então, a gente tem muito cuidado com o período curto. A gente nota, por exemplo, que do outro lado da pista houve um aumento maior que nesse lado — avalia Pedro Bisch Neto, diretor-presidente da EPTC.
Apesar da alta registrada, a Empresa Pública de Transporte e Circulação avalia que há uma tendência de redução nas ocorrências. Isso porque, no sentido em que não há motofaixa, o aumento de acidentes chegou a 52%.
O levantamento leva em conta o período entre outubro e dezembro e utiliza como base de comparação a média dos últimos cinco anos para os mesmos meses, conforme critério exigido em portaria pela Senatran. Ou seja, a média de acidentes de outubro a dezembro dos anos anteriores é inferior ao número de ocorrências registradas em 2025.
Segundo o relatório, não houve registro de acidentes com morte no período analisado. Um novo relatório deve ser divulgado em maio referente aos meses de janeiro a março e incluirá dados de pesquisa de satisfação dos usuários. O envio periódico de informações também é uma exigência do órgão federal.
O uso da motofaixa, chamada de faixa azul, foi aprovado em outubro do ano passado de forma experimental para um período de seis meses. O prazo atual de implementação se encerra no dia 31 deste mês. Para ter mais tempo de avaliação, a EPTC solicitou a prorrogação do uso da motofaixa por mais um semestre.
A Senatran ainda não atendeu o pedido, mas a tendência é que seja autorizado, segundo a prefeitura de Porto Alegre. Zero Hora procurou o órgão ligado ao Ministério dos Transportes e não teve retorno.
Como funciona
O trecho tem cerca de quatro quilômetros de extensão e fica entre o Terminal Triângulo e a Fiergs, no sentido Centro-bairro. O uso é prioritário para motociclistas, mas pode ser compartilhado com carros quando não houver motos circulando.
Não há previsão, até o momento, de implantação de novas motofaixas na cidade nem de uma expansão na Assis Brasil.