Direto da Redação
Breno Bauer: "Meu gato está me vigiando"
Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano


Entre as coisas que tive que deixar para trás quando saí do Interior e me mudei para a Capital, está meu gato. De cara séria, pelos brancos e cinzas volumosos e sempre andando na linha tênue entre preguiçoso demais e agitado demais, Billy está sob os cuidados – ótimos cuidados, diga-se de passagem – dos meus pais e do meu irmão. Sempre o vejo nas chamadas de vídeo que faço ou nas vezes que vou a Rio Grande.
Para minha família fica reservada a maravilhosa aventura da convivência com um felino, que por si só merece um estudo.
No início, subestimamos a inteligência dos bichanos. Lembro que, nos primeiros meses, instalamos um aplicativo que traduzia miados em palavras. Não sabíamos que através daqueles sons e gestos, Billy comunicaria perfeitamente tudo o que precisasse.
Atos de genialidade
Com o passar do tempo, começamos a perceber a genialidade nos pequenos gestos dos gatos. No caso do Billy, essa transição veio quando notamos que ele sabia ligar o filtro da cozinha quando queria beber água.
Quando esses pequenos atos de inteligência entram na rotina, chegamos à etapa mais legal da convivência: quando a natureza se cruza com um campo místico e atribuímos aos gatos um comportamento divino, de quem sabe de tudo.
Frases como “ele sabia que eu estava triste”, “ele entendeu que eu estava indo viajar” ou ainda “eu só pensei em fazer tal coisa, e parecia que o Billy já sabia” são repetidas com cada vez mais naturalidade.
E assim, nos acostumamos com a ideia insana de que gatos podem ler mentes ou exercer um certo papel de vigilância intensa. A convivência deixa essas ideias cada vez menos insanas – e cada vez mais críveis.
Eu só espero que, no próximo final de semana em que eu for visitar minha família, o Billy não me olhe torto. Se fizer isso, não vão restar dúvidas: ele leu esta coluna.