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Capoeira, inclusão e afeto: projeto acolhe adultos com autismo na Capital

Instituto Social Pertence oferece oficinas de capoeira para adultos com autismo. Iniciativa trata-se de uma ferramenta de inclusão

16/04/2026 - 15h32min

Atualizada em: 16/04/2026 - 15h33min


Gabriel Vieira*
Gabriel Vieira*
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Jonathan Heckler/Agencia RBS
Instituto Social Pertence promove ações de acolhimento para os alunos e suas famílias

Em uma roda, com cantigas típicas da capoeira e alunos tocando instrumentos como berimbau, agogô e atabaque, o projeto Jogar e Pertencer, do Instituto Social Pertence, promove oficinas do misto de dança e luta afro-brasileira a adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na Capital.  

A iniciativa é uma ferramenta de inclusão que ajuda os participantes a se desenvolverem fisicamente e socialmente. São oferecidas oficinas de capoeira, futebol e outras ações de cuidado psicossocial. O atendimento ocorre para adultos neurodivergentes de todas as idades.

  


Na turma das aulas de capoeira, por exemplo, há pessoas de 20 anos de idade e outras que já estão mais próximas dos 50. Cada um se desenvolve do seu jeito: uns tocam, outros dançam e ainda têm os que se arriscam na luta. Marlucy Macedo, liderança do Instituto, conta da importância de manter o projeto ativo:

– A gente sente que consegue cuidar, dar mais atenção, mantendo aquela pessoa ali com a gente mais perto, com mais dias fazendo outros projetos de teatro, música, dança.  

Essa é a segunda edição da iniciativa, que conta com verbas vindas da Lei de Incentivo ao Esporte, do Ministério do Esporte. Além disso, recebe apoio de entidades privadas, que também prestam auxílio para viabilizar as atividades. 

– A gente consegue oferecer, nas terças-feiras, uma equipe de monitores, professor de capoeira. Buscamos os alunos em casa e oferecemos lanche. E uma coisa bem interessante do Instituto é que a gente tenta fazer com que os nossos participantes estejam em mais de uma ação – comenta. 

Apoio às famílias 

Quando a pessoa ingressa nos projetos do Instituto, é feita uma análise para entender o tipo de serviço que aquela família necessita.  

– É feita uma entrevista, para que a gente entenda melhor a realidade deles e as formas que a gente pode atuar e ajudar –  conta Marlucy, ao explicar sobre os processos de atendimento, e ainda complementa: 

– A gente não é uma escola nem clínica, mas fica ali no meio entre os dois, porque somos um local onde se busca essa inclusão social e ajuda as famílias. 

Momento de trocas

Para trazer os familiares para cada vez mais perto, no mês de junho vai acontecer um encontro com todas as famílias atendidas pelo Instituto para promover um momento de troca entre todos e entender como melhorar o atendimento de forma geral.  

– É um público com uma vulnerabilidade muito grande. Então, a gente entende que quanto mais tempo eles estão com a gente, menos tempo eles estão na rua, sendo negligenciados – afirma.  

Priscila Farias é mãe de Iury Farias, 20 anos, que participa do projeto. Ela conta dos benefícios que as atividades trazem ao jovem:  

– As atividades fazem bem para o meu filho, para a autoestima e a responsabilidade do dia a dia. Nos dias em que ele vai ao Instituto, ele levanta, faz café, toma banho – comenta. 

Para além disso, o projeto também presta apoio às famílias envolvidas. Com o auxílio de voluntários, são feitos atendimentos aos pais dessas pessoas.  

– É importante ter esse acolhimento com as famílias. A gente tem uma profissional, que é a nossa psicóloga social, que faz todo esse atendimento junto das famílias – finaliza Marlucy.  


Atividades 

O projeto Jogar e Pertencer oferece turmas com atividades esportivas:

/// As oficinas de capoeira ocorrem às terças-feiras, pela manhã, no Prédio dos Sonhos, na Rua Mal. Floriano Peixoto, 108.

/// Há também aulas de futebol, que ocorrem nas sextas-feiras à tarde, na Rua Lauro Müller, 700.

/// Para participar das atividades, é necessário informar o interesse. Além disso, você pode entrar em contato caso queira ser voluntário nas ações. Fale com a equipe do Instituto pelo número (51) 99958-8706.


*Com orientação e supervisão de Émerson Santos  


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