Tua saúde
Causas e sintomas: o que está por trás do bruxismo?
Condição é ligada principalmente ao estresse e à ansiedade. Especialista explica que origem do problema varia de pessoa para pessoa


Ranger ou apertar os dentes pode até parecer um hábito inofensivo, mas a verdade é que o bruxismo é um problema cada vez mais comum e que merece atenção.
Para entender melhor a condição, a coluna Tua Saúde conversou com o professor doutor João Júlio da Cunha Filho, cirurgião bucomaxilofacial, coordenador da Odontologia do Hospital Moinhos de Vento e professor associado da Faculdade de Odontologia da UFRGS.
Conforme o especialista, o bruxismo é a contração involuntária dos músculos da mastigação. Durante a noite, costuma se manifestar pelo ranger de dentes, um barulho que, em geral, é notado por quem está por perto. Já durante o dia, aparece como o ato de apertar a mandíbula.
— No tipo de bruxismo em vigília (acordado), o ranger é mais raro; o que predomina é o aperto silencioso, o que dificulta a percepção. Os dois tipos podem ocorrer juntos na mesma pessoa — afirma.
Sintomas
Os sinais nem sempre são óbvios, mas alguns sintomas relatados pelos pacientes ajudam a identificar o problema. Dor de cabeça frequente, sensibilidade nos dentes, desconforto na mandíbula e até dores no pescoço podem estar relacionados.
— O momento de buscar ajuda profissional é quando esses sintomas se tornam frequentes, especialmente pela manhã, ou quando alguém ao redor percebe o ranger noturno. Também é importante buscar avaliação se os dentes estiverem visivelmente desgastados ou quebrando com facilidade — explica.
Portanto, além do impacto na saúde bucal, o bruxismo pode comprometer a articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula.
Ele também explica que as causas variam de pessoa para pessoa, mas fatores emocionais têm papel importante. Rotinas estressantes, ansiedade e noites mal dormidas podem contribuir para o surgimento ou agravamento do quadro. Por isso, o bruxismo é considerado um problema multifatorial.
— O cérebro e o corpo estão diretamente conectados. Quando uma pessoa vive sob pressão constante no trabalho, nos relacionamentos ou em situações de medo e incerteza, a manifestação do nosso corpo acumula essa tensão em diferentes grupos musculares — conta o doutor, acrescentando que apertar os dentes funciona, de certa forma, como uma válvula de escape inconsciente.
Ainda de acordo com o profissional, o diagnóstico costuma ser feito por um cirurgião-dentista, a partir da avaliação clínica e do relato dos sintomas. Em alguns casos, pode ser necessário investigar a qualidade do sono ou outros fatores associados, com o auxílio de exames como polissonografia ou raio X.
Tratamentos
Segundo o especialista, o tratamento depende da intensidade e das causas envolvidas. Um dos recursos mais utilizados é a placa oclusal, um dispositivo feito sob medida para proteger os dentes durante o sono. Mas, na maioria das vezes, fisioterapia, acompanhamento psicológico ou psiquiátrico e medicamentos relaxantes musculares, quando indicados por profissionais, podem auxiliar no trato.
No caso da prevenção, ele comenta que algumas práticas podem ajudar a reduzir a intensidade do problema:
— Praticar técnicas de relaxamento: respiração profunda, meditação, yoga, evitar cafeína e álcool em excesso, especialmente à noite, fazer atividade física regularmente para liberar a tensão acumulada, manter boa higiene do sono: horários regulares, ambiente tranquilo e, principalmente, prestar atenção ao próprio corpo, sempre que perceber os dentes apertados, solte conscientemente a mandíbula —aconselha.
*Sob orientação e supervisão de Lis Aline Silveira