Notícias



Seu problema é nosso!

Criança enfrenta longa espera por neurologista 

Família precisou procurar alternativas em clínicas particulares para obter diagnóstico da criança, enquanto aguarda na fila do SUS.

09/04/2026 - 15h49min

Atualizada em: 09/04/2026 - 15h50min


Josyane Cardozo*
Josyane Cardozo*
Assistente de conteúdo
Enviar E-mail

mais de um ano na fila do Sistema Único de Saúde (SUS), uma mãe do bairro Restinga, na Capital, tenta garantir atendimento especializado para a filha, enquanto lida com a pressão da escola por laudos e exames.

O tempo de espera por uma consulta com especialista vem sendo o principal problema da família de Valesca Stefany dos Santos, 

29 anos. Há mais de um ano, ela aguarda atendimento com neurologista para a filha, Luiza Gabrielly Rodrigues Ribeiro, sete anos. Sem retorno, precisou buscar alternativas e passou a pagar por exames e consultas em clínicas particulares.

Em março de 2025, a escola estadual onde Luiza estuda alertou para dificuldades no desenvolvimento e orientou a busca por avaliação neurológica. A mãe procurou a Clínica da Família da Restinga e entrou na fila por consulta especializada. Sem retorno, recorreu ao atendimento particular no mês seguinte.

Em abril, a criança foi diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA), nível de suporte 1. Sem conseguir acesso pelo SUS no período, Valesca precisou arcar com consultas particulares para obter o diagnóstico. Com o passar dos meses, a escola voltou a solicitar nova investigação diante da suspeita de deficiência intelectual, o que ampliou a pressão sobre a família.

Para realizar exames essenciais, como eletroencefalograma e exames de imagem, a mãe organizou rifas para arrecadar dinheiro

Ela relata que o acompanhamento tem alto custo e que, atualmente, está desempregada para se dedicar aos cuidados da filha, já que não possui rede de apoio.

— É um sentimento de impotência. Eu queria fazer mais pela minha filha, mas não tenho condições – desabafa. 

Ela afirma que outras famílias enfrentam dificuldades semelhantes:

— Não é só comigo, tem muitas mães passando por isso.

Recursos

Diante da demora e da negativa no preenchimento dos documentos, Valesca recorreu à Defensoria Pública para entrar com um processo contra o órgão responsável para a liberação dos procedimentos. Mesmo com a intervenção, que aponta a obrigatoriedade do preenchimento de um documento, a situação ainda não foi resolvida.

Segundo a mãe, a orientação da Defensoria é de que a unidade de saúde deve preencher o documento necessário para inserir a criança no Gercon (Gerenciamento de Consultas), sistema que permite o acesso às terapias. Apesar disso, o local ainda não realizou o procedimento.

Ela relata que tentou um novo contato, mas a negativa persiste. A situação, segundo descreve, virou um “toca para lá e para cá”, em que a Defensoria exige o documento para dar andamento ao processo, enquanto o posto de saúde não o fornece.

Ansiosa por uma solução, ela teme a demora da situação, especialmente porque a filha apresenta dificuldades:

— Ela está com muita dificuldade na escola, ela precisa desse atendimento agora.

Contrapontos 

O que diz a Secretaria 

/// Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a solicitação da paciente foi registrada em 15 de outubro de 2024 para atendimento em Saúde Mental Infantil. Desde então, “a paciente não permaneceu sem acompanhamento na rede”, com avaliação psicológica em 13 de fevereiro de 2025 e interconsulta multiprofissional em 19 de maio de 2025.

/// Após essa etapa, houve indicação para Neurologia Pediátrica, e o pedido segue em fila ativa. Atualmente, há 4.953 solicitações para a especialidade, com oferta média mensal de cerca de 120 consultas. A paciente ocupa a posição 1.353, em um cenário de alta demanda.

/// O órgão destaca que o diagnóstico de TEA “é clínico e multiprofissional, não sendo exclusivo da especialidade de neurologia” e que a ausência de laudo neurológico não impede o acompanhamento no SUS, desde que haja indicação clínica.

/// O ingresso no Gercon depende de solicitação da unidade de saúde, e a orientação é manter o vínculo com a Clínica da Família da Restinga para reavaliação e encaminhamentos. 

O que diz a Defensoria 

/// Já a Defensoria Pública destaca que foi procurada por Valesca no dia 9 de janeiro solicitando o atendimento para a questão. E, no dia 12, o serviço ouviu o relato e prestou informações dos documentos necessários para o andamento do pleito. 

/// Ela voltou a procurar a Defensoria Pública no dia 17 de março. Nesse último atendimento, ainda faltavam alguns documentos que Valesca deveria entregar para que a Defensoria Pública ajuizasse uma ação ou tentasse resolver de maneira extrajudicial. 

/// Foi informado novamente para ela os documentos pendentes, e, segundo a DP, o processo “aguarda os documentos solicitados para tentar resolver o problema o mais breve possível”.

*Com orientação e supervisão de Lis Aline da Silveira 


MAIS SOBRE

Últimas Notícias