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Esporte que transforma

Do tênis à biblioteca: WinBelemDon inspira a criançada há 25 anos em Porto Alegre; veja vídeo

Iniciativa no Belém Novo atende dezenas de jovens e já impactou mais de mil pessoas com atividades esportivas, educacionais e sociais

16/04/2026 - 12h34min


Luis Gustavo Santos
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Gabriela Ferreira
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Há 25 anos, a ONG WimBelemDon transforma a realidade de crianças e adolescentes no extremo sul de Porto Alegre por meio do tênis. Mais do que ensinar o esporte, o projeto usa as quadras como porta de entrada para promover inclusão social e ampliar perspectivas de jovens em situação de vulnerabilidade. 

O nome da iniciativa faz referência ao tradicional torneio de Wimbledon e ao bairro Belém Novo, onde surgiu. Apesar da inspiração, o espaço vai além do esporte e oferece atividades culturais, pedagógicas e socioemocionais, como oficinas de leitura, programação, robótica, línguas, ioga, meditação e rodas de conversa voltadas à saúde mental. 

Ao todo, 90 crianças e adolescentes são atendidos no contraturno escolar. Os participantes recebem almoço e lanche. Gerente de comunicação do WimBelemDon, Cristiano Santarem estima que mais de 1,2 mil estudantes já tiveram suas vidas impactadas pelo projeto:

— Muitas histórias se desenvolveram depois daqui. Ex-educandos que transformaram suas vidas. Tem casos de crianças que foram as primeiras das suas famílias a concluir o ensino superior. Isso é importante, mas não é fundamental. Também tem casos dos que passaram por aqui e continuam morando no bairro, vivendo de forma digna, com as suas famílias e ajudando no crescimento da região.

O custeio mensal da ONG ocorre, principalmente, de duas formas. A primeira é por meio de leis de incentivo, como o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Funcriança), que permite que pessoas físicas e empresas destinem parte do Imposto de Renda a projetos sociais. A segunda vem de doações diretas de apoiadores, feitas de forma mensal ou esporádica.

De educando a educador: histórias que transformam 

Há também quem tenha passado pelo projeto como educando e, anos depois, voltou como educador. Dos 19 funcionários do WimBelemDon, cinco já estiveram dos dois lados.

É o caso da professora de tênis Jaleska Mendes. Em 2004, aos nove anos,  integrou uma das primeiras turmas. Hoje, referência para os mais jovens, relembra com carinho a influência do projeto em sua trajetória:

— Desde que entrei, há 20 anos, me apaixonei pelo esporte. Comecei a participar de torneios de tênis e isso me motivava a estar aqui e manter notas boas na escola. Anos depois cursei Educação Física e, desde 2018, sou contratada como professora de tênis. É muito bom estar do outro lado, porque entendo qual é o sentimento deles.

Quando uma família manifesta interesse em matricular uma criança no WimBelemDon, uma equipe multidisciplinar, formada por psicólogos e assistentes sociais, faz entrevistas e análise documental. Os novos participantes devem ter entre seis e 12 anos. Quem ingressa pode permanecer até os 18.

Jhully da Veiga Duarte, 15 anos, conheceu o projeto após se encantar pelo tênis em uma atividade escolar. A modalidade foi a porta de entrada para um universo de novas possibilidades.

— Gosto muito da experiência de estar aqui, porque a gente vê que a partir daqui a gente tem muitas oportunidades, não só agora, como daqui para frente — afirma a educanda.

André Ávila/Agencia RBS
Jhully da Veiga Duarte faz parte do projeto há dois anos.

Além das atividades esportivas, Jhully participa de oficinas de leitura, informática e rodas de conversa voltadas à saúde mental. Para ela, o contato com diferentes áreas fez a diferença:

— A gente chega aqui e vira outra pessoa. A gente aprende uma rotina, a ter respeito, um cuidado que a gente, às vezes, não tem.

Mudanças como essas são destacadas pelos educadores, que valorizam a união entre esporte e formação cidadã.

— A quadra de tênis também é uma sala de aula. Eles aprendem muito aqui, não só sobre o jogo, mas sobre respeito. Estamos ensinando algo através do esporte — destaca Jaleska.

Oportunidades além das quadras 

Em outubro de 2025, o projeto deu mais um passo ao inaugurar a biblioteca comunitária Sabiá do Saibro Sábio, em Belém Novo. O espaço, construído em um contêiner na Praça Carlos Santa Helena, em frente à sede do WimBelemDon, reúne milhares de exemplares e amplia o acesso à leitura para jovens atendidos pela iniciativa e moradores da região.

A nova estrutura reforça a proposta de ir além do esporte, utilizando a educação como ferramenta de transformação social. A biblioteca atende cerca de 15 mil moradores do entorno e está aberta diariamente, das 12h às 20h. 

Manuela Pacheco Albino, 10 anos, é uma das frequentadoras mais assíduas do espaço. Ela conta que, desde que começou a participar do projeto, percebeu evolução nos estudos: 

— Aqui é muito legal, aconchegante. Gosto de vir com minhas primas ou minhas amigas para pegar livros. Gosto muito de ler.

André Ávila/Agencia RBS
Manuela Pacheco Albino é uma frequentadora assíduas da biblioteca comunitária

Conhecida como Manu, ela diz que, quando não está nas oficinas ou aulas do WimBelemDon, costuma passar o tempo na biblioteca da praça. O interesse pelos livros é tanto que ela também incentiva a família a frequentar o local.

— Eu trouxe minha avó, minhas primas, minha tia, minha família inteira quase. Eles acharam bem legal, tudo muito bonito — conta com orgulho.

Além do empréstimo de livros, o espaço recebe apresentações musicais, sessões de cinema, teatro, palestras e encontros com convidados.


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