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Espetáculo utiliza a força da capoeira para narrar histórias

Nas sextas-feiras, o colunista Émerson Santos escreve sobre educação, cultura, inovação e toda a diversidade presente nas comunidades

10/04/2026 - 18h13min


Émerson Santos
Émerson Santos
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Instituto Rasteira na Fome/Divulgação
Musical é uma produção Instituto Cultural Rasteira na Fome.

Uma arte, um esporte, uma filosofia, ou mesmo uma prática de preservação da memória. São muitas as camadas possíveis de se pensar ao falar sobre a capoeira. Patrimônio cultural do país, foi criada por negros escravizados e se tornou um ato de resistência. Se carrega todo esse contexto, não seria ela uma ferramenta com força para falar sobre a trajetória dessa população?   

O espetáculo Licença Ancestral, que será apresentado gratuitamente na terça-feira (14), mostra que sim. Uma criação do Instituto Cultural Rasteira na Fome, a peça ocupará o palco do Salão de Atos da UFRGS (Avenida Paulo Gama, 110), a partir das 19h.   

Com música, teatro e os movimentos da capoeira, o espetáculo traz toda a história da diáspora africana. Ou seja, mostra o rapto e tráfico das pessoas negras, que foram retiradas de suas terras para trabalharem forçadamente no Brasil. Partindo disso, evidencia a contribuição fundamental dessas pessoas para a formação do país. Um ponto-chave da apresentação está na forma como ela é narrada: a partir da conversa de um avô com seu neto.   

— Um velho griô, mestre de capoeira, que conta essa história pro seu neto, quando ele chega em casa relatando mais um caso de racismo que sofre na escola, querendo até parar de estudar — explica Mestre Cabeça, que está à frente do instituto.   

Ele comenta que, em sua visão, esse musical se trata de um dos mais completos projetos desenvolvidos pelo Rasteira na Fome, em seus 25 anos de atuação, por trazer a história em uma linguagem que se aproxima do público.    

— E fazer esse evento no Salão de Atos da UFRGS, que para mim é um dos palcos mais bacanas aqui do Rio Grande do Sul, é de uma responsabilidade gigante. Contar lá a história do nosso povo por meio da nossa ótica, da capoeira, está nos dando a sensação de que estamos trilhando o caminho certo — completa. 

Uma noite para curtir boa música 

Mélanie Silveira/Divulgação
Festa é feita por e para pessoas negras.

Vai rolar, na noite desta sexta-feira (10), uma festa que promove o encontro de dois projetos que nasceram com um objetivo em comum: ser um espaço feito por e para pessoas negras. Será a partir das 22h, no Garden Eventos (Avenida Brasil, 1.206). 

Aqui de Porto Alegre, o BATUKBAILE tem se firmado na cena da cidade com suas festas que passam por ritmos variados, como funk, trap, pagode, afrobeat e diversas outras vertentes da musicalidade negra. Já de Florianópolis, o Baile da Brum existe há sete anos. Criado pela DJ Brum, traz grandes nomes do funk nacional para o sul do país.  

Agora, esses dois grupos formam parceria para uma noite que pretende reafirmar a potência criativa e empreendedora da cultura negra.

Para a edição de hoje, DJs de Santa Catarina e do Rio de Janeiro estarão entre as atrações que conduzirão a festa. 

– Como DJ, curador e produtor, vejo na BATUKBAILE o compromisso de fortalecer diferentes cenas negras e promover circulação real para artistas – comenta DJ Pajú. 

Os ingressos estão esgotados.

Teatro nas comunidades

Vera Parenza/Divulgação
Peça "Teiniaguá – a Lenda da Salamanca do Jarau".

O bairro Jardim Dona Leopoldina vai receber, no sábado (11), a primeira apresentação do teatro de rua Teiniaguá – a Lenda da Salamanca do Jarau. A peça é uma produção da Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais, que estará na Praça México às 16h30min.

A peça apresenta a lenda da Teiniaguá e fala sobre a formação histórica e étnica da região, ajudando a explicar as raízes que formaram o povo rio-grandense. Para contar essa história, são utilizadas técnicas do teatro de animação, bonecos e máscaras.

Para além de ser gratuita, um ponto interessante é a peça ocupar espaços fora da região central, facilitando o acesso à cultura também para as periferias da cidade.

No domingo (12), haverá uma nova apresentação. Desta vez, no Parque Chico Mendes, bairro Mario Quintana, a partir das 16h30min.


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