Desastre no Litoral
Mãe de trigêmeos, empresários e piloto: saiba quem são as vítimas do acidente aéreo em Capão da Canoa
Aeronave de pequeno porte caiu sobre restaurante nesta sexta-feira (3), após partir de São Paulo, deixando mortos os quatro ocupantes


A queda de um avião de pequeno porte em Capão da Canoa, no Litoral Norte, na manhã desta sexta-feira (3), interrompeu a trajetória de quatro pessoas e deixou marcas em familiares, amigos e comunidades onde as vítimas atuavam.
Entre as vítimas estavam o casal Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani, além do engenheiro e empresário Renan Saes e do piloto Nelio Maria Batista Pessanha.
Ainda não há informações sobre os velórios das vítimas.
Casal empreendedor
Déborah Belanda Ortolani e Luis Antonio Ortolani formavam um casal conhecido no interior de São Paulo pela atuação no setor de eventos. Eles estavam à frente da tradicional Feira de Ibitinga, voltada principalmente aos segmentos de vestuário, cama, mesa e banho, reunindo expositores de diferentes regiões do país.
Eles mantinham negócios em diferentes regiões do país, inclusive no Rio Grande do Sul. Conforme um colega de trabalho, o casal morava em Capão da Canoa, mas tinha um imóvel em Ibitinga.
— Luis foi uma pessoa que me deu a oportunidade, me ensinou a trabalhar, me ensinou a ser melhor. Era um exemplo de pessoa. Ele já ajudou muitas pessoas desconhecidas, era uma pessoa que trabalhava nos bastidores da vida de muita gente. Era um motivador. Ele incentivou, deu oportunidade para inúmeras pessoas fomentarem os seus negócios — afirmou Michael Vieira, gestor comercial da Feira de Ibitinga, que também era amigo do casal há cerca de duas décadas.
De acordo com parentes, eles não tinham filhos juntos, mas formavam uma família com filhos de relacionamentos anteriores. Déborah era mãe de trigêmeos, e Luis tinha um filho de outro casamento, além de um neto.
— A Déborah era extremamente fiel ao casamento, aos filhos. Era uma mulher corretíssima, um exemplo de mulher, de mãe. Era guerreira, batalhadora. A paixão que os dois tinham pelo outro era algo que eu não vi até hoje. Eram extremamente apaixonados. É uma lástima terrível o que aconteceu — acrescentou Vieira sobre a amiga.
Nas redes sociais, a prefeitura de Ibitinga, em São Paulo, emitiu uma nota de pesar, afirmando que a dupla deixou um legado no desenvolvimento econômico da cidade.
"Reconhecidos por sua atuação no setor empresarial, especialmente por sua contribuição à tradicional Feira de Ibitinga, o casal deixa um legado importante para o desenvolvimento econômico e social do município", diz trecho da manifestação.
Sócio da empresa
Sócio da empresa de aviação a que pertencia a aeronave envolvida no acidente, Renan Saes era engenheiro de produção e vinha atuando no setor aeronáutico. Descrito por pessoas próximas como dedicado à carreira, ele se casou havia cerca de três anos com uma advogada.
— Uma pessoa do bem, alegre, simpático, inteligente, educado, uma pessoa extraordinária. Agora só nos resta rezar pela alma dele e para Deus confortar sua família — lamentou Luciana Diniz, 54 anos, amiga de Renan Saes.
Saes também costumava usar as redes sociais para divulgar seus negócios. Momentos antes do acidente nesta sexta-feira, ele havia publicado um vídeo no Instagram, com imagens da vista da janela de um avião.
A gravação mostra uma vista panorâmica de moinhos de energia eólica, além de uma vegetação. Não há confirmação de que se trata do mesmo avião envolvido no sinistro.
Piloto
A quarta vítima foi identificada como Nelio Maria Batista Pessanha. Assim como Renan Saes, ele era ligado à aviação. Pessanha atuava como piloto e rebocador de planador.
Durante a trajetória, ele foi instrutor e diretor de instrução do Aeroclube de Itápolis, no interior de São Paulo.
Nas redes sociais, a instituição lamentou o falecimento, afirmando que o serviço dele no aeroclube foi marcado pela "seriedade, paixão pela aviação e um compromisso constante com a formação e o fortalecimento do setor".