Coluna da Maga
Magali Moraes e as tarefas repetitivas
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Você já parou pra pensar em quantas vezes repete uma mesma tarefa? Botar a mesa, por exemplo. Estender a toalha. Pegar copos, pratos, talheres. Trazer sal e pimenta. Recolher tudo depois. Os objetos podem ser iguais, a situação é diferente. E a comida também. A rotina automatiza, a vida inventa motivos. Uma comemoração com a toalha mais bonita. Alguém que fica pro almoço. Uma quarta-feira com gostinho de sábado. O tempero que muda porque surgem novos cozinheiros.
Arrumar a cama não é consenso, mas é outro exemplo de tarefa que se repete infinitamente ao longo da vida. Trocar os lençóis, colocar e recolher as cobertas. E a mesma coreografia: esticar o tecido, dar tapinhas alisando o travesseiro, tirar e botar a colcha, ver o sol nascendo e se pondo na janela. Isso me lembra os vídeos de timelapse que filmam a passagem do tempo acelerada: o dia virando noite, o céu mudando de cor, as nuvens passando, a multidão circulando numa avenida.
Motivação
Sempre igual, sempre diferente. Repetitiva é a forma. O contexto é que muda tudo. No deslocamento casa-trabalho-casa, o trajeto e o horário podem se repetir, só a motivação não é a mesma. O estado de ânimo varia, os acontecimentos moldam os dias. E se a gente listar quantas tarefas repetitivas existem na criação dos filhos? Nos cuidados com um bebê. Durante a vida escolar. E com nós mesmos. Escovar os dentes: o que se transforma é a pessoa na frente do espelho, dia a dia, ano após ano.
Nem tudo que se repete é monótono. Pode ser uma reinvenção que se sucede e nos faz evoluir sem parar. Hoje eu completo 11 anos de DG. Foram 1.363 colunas até agora, acredita? Claro que alguns assuntos se repetem, estamos falando aqui de cotidiano. Já eu mudei bastante ao longo desses anos. Mais de uma década! Aposto que você também mudou. O tempo passa pra todo mundo. Uns se apavoram, outros aceitam e celebram a caminhada. Obrigada pela companhia!