Coluna da Maga
Magali Moraes: novos costumes
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Uns a gente inventa, outros costumes acabam entrando na nossa rotina por causa de alguém próximo. Às vezes, uma geração inteira vai inspirando novos comportamentos e reconfigurando o cotidiano. Não sei se você reparou, mas tem uma gurizada que anda bem mais preocupada com a saúde. Que bebe menos ou diz não pra bebidas alcoólicas. Que prefere começar cedo a festa pra ir embora a tempo de não perder o treino na manhã seguinte (virar a noite é passado).
Falando nisso, tem um novo hábito que vem ganhando destaque: jantar cedo. Por cedo, entenda-se às cinco ou às seis da tarde. Isso era considerado horário de hospital e costume de pessoas idosas. Quem diria que a geração Z iria provocar essa mudança. Quem convive com eles, sabe. A gente acaba experimentando a novidade. Aqui em casa, estamos almoçando e jantando cada vez mais cedo. Só não tente fazer isso em terra de Hermanos. Lá quem janta antes das dez da noite é turista.
Desperdício
Outra mudança gastronômica tem sido bastante comentada ultimamente: os restaurantes estão oferecendo seus pratos em versões menores pra evitar desperdício de comida e também pra atrair clientes que não querem se empanturrar (ou nem conseguem). O motivo? Canetas emagrecedoras. Elas viraram uma febre maior que o pistache, e são usadas até por quem não precisaria. Se antes eram muito caras, agora que a patente caiu elas vão ficar mais acessíveis. Alô, rodízios e espetos corridos!
Não importa a idade, me parece que existe um desejo real de leveza em mais esferas da vida. Mais equilíbrio na mesa, no trabalho, na família. A mesma geração Z que nasceu digitalizada e respirando tecnologia anda buscando o analógico: jogos de tabuleiro, câmeras descartáveis, fotos impressas e outros aparatos retrô. Desconectar e ficar mais offline passou a ser necessidade. Chega uma hora em que tudo que é excessivo cansa, esgota, perde a razão. Novos tempos e costumes.