Papo Reto
Manoel Soares: "Medo de Iogurte"
Colunista escreve no Diário Gaúcho aos sábados


Sabe quando uma pessoa sofre um assalto e passa anos com medo de situações parecidas com aquela que viveu no assalto? Ou uma pessoa que sofreu um acidente de trânsito e tem medo de andar em um determinado tipo de veículo? Esse sentimento pode ser algo que os psicólogos e psiquiatras descrevem como Transtorno de Estresse Pós-Traumático, ou TEPT, como os conhecedores chamam.
Qualquer pessoa que vive uma situação de trauma está sujeita a viver isso, não é opcional. Independentemente de o cara ser machão, de a mulher ser guerreira ou qualquer outro traço da personalidade, quando o TEPT vem, ele muda o comportamento, e o medo de viver a situação novamente ativa nas pessoas os instintos de perigo no cérebro. É como se quem queimou a boca com sopa tivesse medo de iogurte, como se quem foi mordido por uma cobra no mato só andasse no asfalto.
Trauma
O Rio Grande do Sul é um Estado traumatizado pelas chuvas que destruíram parte da rotina, que precisou ser reconstruída. TEPT não é tontura que dá e passa, ele se camufla e se incorpora nos hábitos, mudando a personalidade da pessoa para sempre.
Quando o impacto do trauma é muito pesado, precisamos levar a sério um tratamento terapêutico ou até medicamentoso. Uma mente estressada vive menos e é menos feliz. Ignorar os traumas não é ser forte, é ser irresponsável. Pessoas que têm medo de iogurte às vezes deixam de experimentar sopas deliciosas.