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Retratos da Vida 

Na Restinga, Grupo Marias atende mulheres vítimas de violência e vulnerabilidade social

A associação, sem fins lucrativos, surgiu em 2021, com o objetivo de promover o acolhimento, a criação de oficinas e a geração de renda para as participantes 

24/04/2026 - 08h00min


Rayne Sá*
Rayne Sá*
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Bruno Todeschini/Agencia RBS
Claudia Rozane é vice-presidente e uma das oficineiras do projeto.

Na garagem de uma casa simples na Restinga, no extremo sul de Porto Alegre, um grupo de mulheres permanecia com os olhos atentos em cada ponto dos seus crochês quando a reportagem chegou. No tecido trabalhado por uma das alunas, uma frase chamava a atenção: “A liberdade é uma luta constante”, da ativista Angela Davis. É neste espaço do Grupo Marias que cerca de 70 mulheres  encontram, entre máquinas de costura, doações e rodas de conversa, um local seguro para falar, aprender e, principalmente, recomeçar. 

Coordenado pela psicopedagoga Rosana Kasper, o projeto nasceu durante a pandemia, em fevereiro de 2021, quase sem pretensão, para atender mulheres vítimas de violência e vulnerabilidade social. Tudo começou quando a professora passou a perceber mudanças nos desenhos dos alunos, sinais que despertaram um alerta de que algo não ia bem dentro de casa.

– Afloraram muitas situações de violência naquele período e as protetivas aumentaram. A partir disso, vieram os pedidos de ajuda das mães e o primeiro encontro, que contou com cinco mulheres – lembra uma das voluntárias, Tatiana Guedes.

De lá pra cá, o grupo só aumentou. Mudou de sede, ganhou reforço e passou a oferecer oficinas, como artesanato, culinária, empreendedorismo, atividades e palestras sobre direitos. Hoje, a ONG conta com 27 voluntárias, além de outras que participam esporadicamente, com um objetivo principal: transformar e empoderar as participantes por meio da escuta.

– A mulher não chega dizendo o que está acontecendo. Ela vem, participa e, quando se sente segura, começa a contar sua história – afirma.

Geração de renda 

Mais do que assistência e acolhimento, o grupo se define como um espaço de transformação. Para Rosana, é ali que muitas mulheres têm, pela primeira vez, a oportunidade de descobrir suas vozes, força e poder de decisão sobre as próprias vidas. 

Entre uma conversa e outra, o aprendizado é um dos principais pilares do projeto. Na oficina de costura, por exemplo, as participantes vão do básico, como usar a máquina, até a produção de peças. A geração de renda é uma das apostas para ajudar as mulheres a saírem de situações de dependência. Uma das ideias mais recentes foi adaptar o brechó: agora, roupas doadas são organizadas em sacolas para venda, e o valor é dividido entre quem vende e o projeto.

– A gente vai fazendo, praticando, aprendendo. Ajuda elas e ajuda o grupo a se manter – explica a oficineira Claudia Rozane.

Sem fins lucrativos, o Grupo Marias sobrevive a partir de doações e rifas, porque manter o espaço aberto não é simples. Mesmo assim, os planos continuam surgindo. Um deles é criar uma escola social de estética, com cursos de cabelo, unhas e maquiagem. A ideia é oferecer uma forma de renda rápida e possível dentro da realidade das participantes.

– Nosso custo mensal chega a quase R$ 3 mil. Tem mês que não tem nem dinheiro para o gás. Então, não adianta pensar em algo distante. Tem de ser algo que funcione aqui – diz Tatiana.

Como ajudar 

/// O apoio é muito importante para que o Grupo Marias siga auxiliando e fazendo a diferença na vida de mulheres e famílias. As doações podem ser feitas por meio da chave Pix 49.32.399/0001-53 (CNPJ) ou diretamente na sede da associação, localizada no Acesso L, 509, no bairro Restinga, em Porto Alegre.

*Sob supervisão e orientação de Émerson Santos


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