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"O jovem tem voz”, afirma o novo Peão Farroupilha

Do grupo de dança em uma escola  ao título estadual, Lucas Gabriel Pedroso Tatsch, do CTG Os Gaudérios, fala sobre a caminhada no MTG e projeta uma gestão voltada à aproximação com os jovens

27/04/2026 - 07h00min


Caroline Tidra
Caroline Tidra
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Mariana Trevisan/Divulgação
Lucas, de 23 anos, é jornalista, economista e cientista político.

Lucas Gabriel Pedroso Tatsch, do CTG Os Gaudérios, de Cachoeira do Sul, da 5ª Região Tradicionalista (RT), é o 1º Peão Farroupilha da gestão 2026/2027. A escolha ocorreu durante o 37º Entrevero de Peões, realizado em Santa Maria, entre os dias 16 e 18 de abril. Aos 23 anos, o jornalista, economista, cientista político e também mestrando em Administração, Lucas começa a trajetória como representante da juventude do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).

Sua história no tradicionalismo começou ainda na infância, em 2009, ao assistir a apresentação de uma dança tradicional em uma escola de Cachoeira do Sul. Encantado com o movimento, iniciou na dança e, em 2014, ingressou na entidade da qual faz parte até hoje. Desde então, construiu uma caminhada marcada pela participação em concursos culturais, pela dedicação ao lado artístico e cultural do movimento e pela persistência até conquistar, na terceira tentativa em nível estadual, o título de 1º Peão Farroupilha.

Lucas também ressalta o peso emocional da conquista. Ele lembra que, embora sua família não tivesse origem no meio tradicionalista, encontrou no CTG uma segunda família. A perda recente da mãe e do pai tornou o título ainda mais simbólico, já que, segundo ele, o sonho era compartilhado por todos

Para a gestão 2025/2026, o novo Peão Farroupilha afirma que seu principal objetivo será representar a juventude tradicionalista, aproximando-se das entidades e promovendo ações que reforcem o protagonismo dos jovens dentro do MTG

Confira a entrevista na íntegra

Qual é tua história com o tradicionalismo? 

Eu conheci o movimento em uma escola pública, na Escola Municipal Dr. Baltazar de Bem, em Cachoeira do Sul, em 2009. Eu vi, ali, o grupo de dança apresentado Chico Sapateado – inclusive foi a dança que eu apresentei no Entrevero. Eu disse para minha mãe que eu gostaria de também dançar aquilo, porque achei muito lindo. Assim, eu comecei dentro da escola dançando e, cinco anos depois, em 2014, ingressei no CTG Os Gaudérios e estou até hoje. Fui bem recebido, segui no âmbito da dança e, em 2018, eu concorri pela primeira vez em um concurso cultural. Daí, eu fui o segundo peão daquela casa, concorri novamente, e no segundo ano, em 2019, eu fui o primeiro peão no CTG. 

Dali para frente, eu comecei a entender sobre o lado cultural do tradicionalismo. Após, concorri na 5ª Região Tradicionalista, ainda na pandemia. Participei duas vezes na fase estadual e não obtive êxito. E agora, pela terceira vez, eu consegui chegar à fase estadual e ser Peão Farroupilha do Rio Grande do Sul. 

Tua família não era do meio tradicionalista? 

Não. A minha mãe me levou para o CTG e a gente começou a desenvolver lá uma grande família, que nos abraçou. Inclusive, isso (a conquista do título) se tornou um sonho meu, da minha mãe, do meu pai, da minha família e de muitas pessoas que foram se somando no decorrer dessa caminhada. Em 2024, quando fui pela segunda vez, a minha mãe esteve junto comigo. De lá para cá, eu perdi a minha mãe e meu pai. Mas ficou esse desejo deles de alcançar esse título comigo. 

Agora, nessa edição (do Entrevero), na minha prova artística, eu fiz uma homenagem a eles, porque eu estava em busca de realizar o meu sonho, o sonho deles e o sonho de tantas pessoas aqui de Cachoeira do Sul e da 5ª Região Tradicionalista. 

E em meio a esse luto, como foi tua preparação até chegar neste título? 

Em meio a tudo isso, foi muita resiliência, força de querer, diante das adversidades, e ir em busca de um sonho que era nosso. Como eu disse na minha prova artística, ele foi construído dentro de casa e acabou tendo o tamanho do Rio Grande. No decorrer dessa trajetória, muitas pessoas se juntaram a este sonho, porque Cachoeira do Sul foi onde nasceu o Entrevero Cultural de Peões, em 1989. 

Em 2019, Micael Feliciano Machado Lopes, aqui de Cachoeira do Sul, também conseguiu o título de Peão Farroupilha. Mas, em decorrência da pandemia, ele não conseguiu realizar o Entrevero Cultural de Peões. Então, era um sonho alimentado por muitas pessoas, ele mesmo que também me ajudou e, agora, nós conseguimos. No ano que vem, a 38ª edição do Entrevero será aqui. Vamos marcar esse retorno e já estamos com muita expectativa para receber os tradicionalistas. 

Qual vai ser teu foco durante a gestão? 

O foco é representar da melhor forma a juventude tradicionalista. Fazer com que nós consigamos estar mais próximos das entidades. Afinal, hoje somos mais de 1.500 entidades distribuídas nas regiões do Rio Grande do Sul. Fazer com que os jovens se sintam representados, estando próximos, desenvolvendo ações que tenham como objetivo aquilo que está lá na nossa carta de princípios, que é auxiliar o Estado na solução dos seus problemas no que for preciso. Qualquer entidade, qualquer associação, não somente do tradicionalismo, pode me contatar que, com certeza, a juventude do tradicionalismo gaúcho vai estar a postos para atender e desenvolver as ações da melhor forma possível.

Qual a importância de atrair jovens para o movimento tradicionalista? 

Diferentemente de alguns outros núcleos culturais, o tradicionalismo se dá com base no jovem. O jovem tem voz, defendendo propostas, votando em congressos, em convenções tradicionalistas. Precisamos retomar na história que, em 1947, foram oito jovens dentro de uma escola pública, o Colégio Júlio de Castilhos, que deu início ao movimento. Hoje, nós estamos dando sequência ao que os jovens criaram e, hoje, somos mais de 1.500 entidades tradicionalistas. E, vale lembrar, que nós temos entidades em outros estados, temos uma Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha, inclusive uma Confederação Internacional. E lembrar da força do jovem. Se oito fizeram tudo isso, o que nós conseguiremos fazer? Onde podemos chegar? 

Por vezes, o MTG é alvo de críticas. O que você pensa sobre isso? 

Toda crítica é construtiva. E a gente utiliza-se delas para buscar entender melhores formas de chegar na sociedade. E existe um reconhecimento do que estamos fazendo, que é difundir a nossa cultura e manter a tradicionalidade. O gaúcho sempre honrou a sua tradição, sempre foi simples. E é isso que nós buscamos trazer dentro dos nossos galpões. Nós não temos distinção de nenhuma forma, seja ela social, econômica ou de credo religioso. Nós respeitamos a todos e, como mencionei na nossa carta de princípios, nós temos como objetivo central sempre ajudar o Estado, ajudar as pessoas, fazer com que se sintam pertencentes a um grupo local e queremos que este seja, então, o núcleo da sua cultura, a cultura do Rio Grande do Sul. 

Confira os demais resultados

Piás

  • 1º Matheus Henrique Mohr – CTG Estância do Montenegro – Montenegro, 15ª RT
  • 2º Pedro Adolfo Roncato – CTG Querência do Prata – Nova Prata, 11ª RT
  • 3º Matheus Thomas Schneider – CTG Recanto Verde – Boa Vista do Buricá, 20ª RT

Guris

  • 1º Mikael de Lima Lopes – Centro Nativista Boitatá – São Borja, 3ª RT
  • 2º João Vithor Wegner Aires Vila Real – CTG Bento Gonçalves – Santa Maria, 13ª RT
  • 3º Arthur Miglioransa Perin – CTG Doze Braças – Sananduva, 29ª RT

Peões

  • 1º Lucas Gabriel Pedroso Tatsch – CTG Os Gaudérios – Cachoeira do Sul, 5ª RT
  • 2º Felipe Viola de Menezes – CTG Querência da Serra – Cruz Alta, 9ª RT
  • 3º Marcos Paulo Bonatti – CTG Lenço Preto – Trindade do Sul, 19ª RT

Ciranda Cultural de Prendas

A escolha da Prenda Farroupilha, outro importante título do calendário tradicionalista, ocorrerá entre os dias 21 e 23 de maio, durante a 55ª Ciranda Cultural de Prendas, em Erechim.




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