Notícias



Custo de vida

Preço do aluguel sobe quase três vezes mais do que a inflação em Porto Alegre

Dados consideram a comparação entre os meses de março de 2025 e de 2026

20/04/2026 - 15h39min


Vinicius Coimbra
Vinicius Coimbra
Enviar E-mail
Anderson Aires
Anderson Aires
Enviar E-mail
André Ávila/Agencia RBS
Novos empreendimentos e efeitos da enchente de 2024 causaram aumento de preços nos aluguéis na Capital, dizem especialistas.

O preço médio do aluguel residencial em Porto Alegre cresceu 11,65% em 12 meses fechados em março, quase três vezes a inflação oficial brasileira no mesmo período (4,14%).

Mesmo assim, o resultado representa desaceleração da alta de preços, se comparado aos meses de março de 2025 e de 2024, quando o aumento foi de 17,99%.

As informações são do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis (Secovi-RS), que considerou apenas imóveis que estão disponíveis para locação e não os já alugados.

O Bom Fim é o bairro com a valorização mais relevante do metro quadrado, enquanto Santa Cecília apresentou a maior queda.

— Esse resultado é resquício dos preços pressionados por conta das enchentes. Alguns imóveis de maior valor foram devolvidos (para os proprietários) e os que não pegaram água foram reajustados. Nesse cenário, a tendência é que imóveis disponíveis de menor valor sejam alugados e os mais caros permaneçam na amostra. Isso causa o aumento do preço médio do metro quadrado. Também teve a influência da entrada de imóveis novos — diz Cézar Sperinde, vice-presidente de locações do Secovi-RS.

Se considerado o primeiro trimestre de cada ano — janeiro, fevereiro e março —, 2026 registrou o maior acumulado da série histórica, iniciada em 2012. No período, o aluguel médio subiu 5,02%, superando 2015 (4,71%) e 2025 (2,85%). Cinquenta dos 64 bairros pesquisados na Capital tiveram aumento de preços.

O coordenador do curso de Negócios Imobiliários da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alberto Ajzental, contextualiza que o aluguel residencial em março teve peso de 3,67% no IPCA, que mede a inflação oficial do país. Isso não quer dizer que exista um teto para o aumento:

— O IPCA mede o comportamento de diversos produtos e serviços no país. Já o aluguel reflete condições específicas do mercado imobiliário local. Por isso, em uma cidade ou bairro com oferta restrita e demanda aquecida, os aluguéis podem subir muito acima da inflação geral. Também depende de fatores como juros, renda, emprego, atratividade dos bairros e eventos extraordinários — explica.

O professor da Faculdade de Arquitetura e da pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Eber Marzulo analisa:

— O aumento pode ter relação com a dificuldade de financiamento em função da taxa de juros. Mas também tem a ver com a produção imobiliária, que hoje é basicamente para a renda média/alta e alta, pouca para a média, fora o Minha Casa, Minha Vida. Então, se a pessoa vai morar em um apartamento novo, o aluguel será mais alto.

O levantamento considera 4.675 imóveis residenciais, como apartamentos, casas, coberturas, mobiliados, semimobiliados e loft/studio localizados em 64 bairros porto-alegrenses.

As localidades que estão fora da lista não tiveram dados suficientes para o cálculo da média nos dois períodos. Imóveis com classificação em bairro indefinido foram excluídos do ranking.



MAIS SOBRE

Últimas Notícias