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UFRGS conquista prêmio inédito na maior competição de Direito do mundo

Pela primeira vez, uma universidade brasileira conquista o prêmio de 2º melhor memorial na Jessup International Law Moot Court Competition, em Washington

16/04/2026 - 15h07min


Juliano Lannes*
Juliano Lannes*
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No final de fevereiro, o Diário Gaúcho mostrou que um grupo de alunos da faculdade de Direito da UFRGS buscava apoio financeiro para ir aos Estados Unidos. A equipe conseguiu viajar até o país norte-americano e conquistou um prêmio inédito na Jessup International Law Moot Court Competition, a maior competição jurídica do mundo. 

A conquista diz respeito à parte escrita da competição, na qual os alunos atuam como advogados em um caso simulado perante a Corte Internacional de Justiça da ONU.

— É como se fosse uma petição, uma peça jurídica que fundamenta os pedidos de uma parte. De cerca de 170 times que participaram das fases nacionais e da internacional, o nosso foi o segundo melhor — explica o estudante e orador da equipe, Vítor Echeveste.



Para a professora de Direito Internacional da UFRGS, Tatiana Squeff, coordenadora e coach da equipe, o diferencial técnico do grupo gaúcho foi a profundidade da pesquisa. 

— Esse prêmio de segundo melhor memorial do mundo é inédito para o Brasil. Nunca ninguém ganhou um prêmio desse. O diferencial foi que tínhamos quatro oradores, e cada um se especializou em um ponto específico, o que permitiu abordar com profundidade todos os conteúdos solicitados — destaca a docente.

"Achava que era brincadeira"

O anúncio do prêmio surpreendeu os estudantes, que disputavam com instituições de elite como Harvard, Oxford e Sorbonne. Vítor relata que o grupo já estava em clima de despedida quando o nome da UFRGS foi divulgado.

Arquivo Pessoal/Reprodução
Alunos foram chamados às pressas para receber o prêmio.

— Nós estávamos com roupas casuais e tínhamos chegado atrasados à comemoração porque não esperávamos que nada aconteceria. Quando falaram o nome do Brasil em segundo lugar, ninguém acreditava. Eu estava fora do salão, me chamaram às pressas e fui correndo porque achava que era brincadeira  — recorda o estudante.

O trabalho exigiu meses de dedicação, incluindo reuniões durante o Natal, Ano-Novo e início de janeiro de 2026. Os temas deste ano envolveram direitos de povos indígenas, mineração em águas profundas e imunidade soberana.

O obstáculo financeiro

Apesar da excelência acadêmica, a trajetória até Washington foi marcada pela incerteza financeira. Sem recursos integrais da universidade, o grupo organizou uma "vaquinha" e buscou patrocínios para custear passagens e hospedagem.

— A escolha de alunos acaba sendo filtrada pela questão financeira, porque por vezes temos que falar que talvez ele tenha que desembolsar algum valor para participar. Isso faz com que pessoas bem qualificadas, por vezes, não consigam participar da equipe —lamenta Tatiana. 

Vítor complementa que o apoio recebido foi fundamental.

— Buscamos patrocínio e apoio muito mais como uma forma de tornar esse custo menor. Essas vitórias no meio do caminho ajudam a fortalecer o propósito final —

O memorial premiado da UFRGS agora servirá de modelo para estudantes de Direito de todo o mundo, ficando disponível permanentemente no site da International Law Students Association.

*Sob supervisão da jornalista Lou Cardoso


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