Baixa adesão
A três dias do fim da campanha, apenas uma em cada quatro crianças se vacinou contra a gripe no RS
Imunizante protege contra casos graves da influenza. Conforme Centro Estadual de Vigilância em Saúde, números baixos deverão resultar em emergências hospitalares lotadas neste inverno


A campanha de imunização contra a gripe encerra no dia 30 de maio. Até quarta-feira (27), apenas 42% do público-alvo estava imunizado contra a doença. O grupo com menor adesão a vacinação é o das crianças de até seis anos — apenas 25%, uma em cada quatro, se vacinaram na rede pública.
Os dados são do Ministério da Saúde e levam em conta vacinas aplicadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Dos mais de três milhões de gaúchos aptos a receber a dose, apenas 1.321.260 foram imunizados até o momento. Com isso, mais da metade da população alvo ainda permanece desprotegida contra o vírus influenza.
Conforme o Ministério da Saúde, a campanha é prioritária para crianças, gestantes e idosos, grupos mais vulneráveis a hospitalizações e mortes.
Depois das crianças, os grupos com menor adesão é o de mulheres grávidas, com 45% vacinados, e dos idosos, com 46% de cobertura vacinal.
A meta do Estado é vacinar 90% das crianças, idosos e gestantes. A baixa adesão preocupa autoridades e médicos, já que o Rio Grande do Sul apresenta maior incidência e circulação do vírus. Na semana passada, a Fiocruz colocou o RS na categoria de risco pelo aumento de casos respiratórios.
Segundo a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), Tani Ranieri, 70% dos casos de influenza estão relacionados a crianças e idosos. Ou seja, a baixa adesão deverá resultar, no inverno, em emergências hospitalares abarrotadas.
— A cobertura vacinal está muito baixa. Nós observamos que quase 70% dos casos de influenza estão relacionados a crianças e idosos. Esse grupo tem o maior risco de adoecimento e por isso, é mais que necessário a imunização. Só assim vamos reduzir as hospitalizações e diminuir as lotações das emergências — explicou a diretora.
A cobertura vacinal está muito baixa. Quase 70% dos casos de influenza estão relacionados a crianças e idosos. Esse grupo tem o maior risco de adoecimento e, por isso, é mais que necessário a imunização. Só assim vamos reduzir as hospitalizações e diminuir as lotações das emergências
TANI RANIERI
Diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS)
Baixa cobertura na Capital
O cenário de baixa cobertura vacinal é visto também em Porto Alegre. Conforme os dados do Ministério, das quase 400 mil pessoas que precisam da vacina contra a gripe, 199 mil estão protegidas — o que representa 49%.
Entre as crianças, a situação é ainda mais delicada. Apenas 27% estão imunizadas. O secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, afirma que o cenário é preocupante:
— Estamos entrando no período de maior circulação dos vírus respiratórios e ainda temos uma cobertura muito abaixo do esperado entre as crianças, que são especialmente vulneráveis às complicações da gripe. A vacinação é segura, gratuita e continua sendo a principal forma de evitar casos graves, hospitalizações e óbitos.
Segundo o município, os imunizantes estão disponíveis nas 132 unidades de saúde de Porto Alegre (veja os endereços aqui).
"A vacina é muito segura"
O imunizante aplicado pelo SUS é trivalente e protege contra três tipos de vírus: H1N1, H3N2 e uma cepa da Influenza B. A vacina leva até 15 dias para fazer efeito e tem proteção de seis meses a um ano.
Para o coordenador médico do setor de Infectologia do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), André Luiz Machado, a vacina é a garantia de proteção contra os quadros graves da doença:
— Ela protege contra a doença que cursa com manifestações clínicas graves, especialmente em crianças e idosos. A vacina é muito segura. É uma vacina inativada, já bem estabelecida no calendário do Ministério da Saúde. A orientação médica é sempre se vacinar.
Um novo lote com 536 mil doses do imunizante chegou ao Rio Grande do Sul na quarta-feira (27). Os insumos serão distribuídos a partir da tarde de quinta-feira (28). O Estado deve receber ainda outros dois envios por parte do governo federal. Um deles está previsto para chegar em 2 de junho.
Campanha de vacinação contra a gripe
A campanha nacional de vacinação contra a gripe encerra no próximo sábado (30). Mesmo após o término, a Secretaria da Saúde (SES) destaca que a imunização seguirá disponível enquanto houver doses nas unidades de saúde, independentemente da decisão de prorrogar ou não o prazo.
Ainda não há informações sobre a ampliação da vacinação para o público geral. Segundo a diretora, Tani Ranieri, no momento, a orientação federal é para que os imunizantes sejam aplicados no público prioritário até o fim da campanha.
Podem receber a vacina contra a gripe:
- pessoas com 60 anos ou mais
- crianças com mais de seis meses e menos de 6 anos de idade
- gestantes
- puérperas (até 45 dias após o parto)
- povos indígenas e quilombolas
- trabalhadores da saúde e da educação
- pessoas com comorbidades
- pessoas com deficiência
- pessoas em situação de rua
- agentes das forças de segurança
- caminhoneiros
- trabalhadores do transporte coletivo
- portuários
- trabalhadores dos Correios