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Seu problema é nosso 

Acúmulo de lixo em calçada do Nonoai incomoda vizinhança

Moradora do bairro na zona sul de Porto Alegre reclama do tempo em que resíduos já estão na calçada e das consequências disso

01/05/2026 - 21h45min


Breno Bauer*
Breno Bauer*
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Helen Cristina Rimoli/Arquivo pessoal
Local convive há dois anos com área de descarte irregular

A pilha de lixo que ocupa a calçada da Rua dos Apóstolos, no bairro Nonoai, zona sul da Capital, começou com um terreno baldio. É o que aponta a moradora Helen Cristina Rimoli, 64 anos. Moradora do número 115, ela convive há cerca de dois anos com o problema no trecho do pavimento ao lado de sua casa

— É muito lixo, muito mesmo. E eu não aguento mais essa situação. Fora os bichos: baratas, muitas baratas. Uma imundície total. Uma situação péssima — diz Helen. 

Helen Cristina Rimoli/Arquivo pessoal
Doenças e insegurança geram preocupação

Ela conta que o problema começou quando o terreno ao lado de sua casa era baldio e acumulava entulhos e resíduos. Agora, mesmo com a regularização do terreno, a parte externa continua servindo como depósito irregular de lixo.

Dengue 

Uma das preocupações trazidas pelo amontoado de resíduos é com a criação de mosquitos Aedes aegypti, transmissores da dengue. O acúmulo de lixo é um dos fatores que colaboram para a procriação do animal. No monitoramento da prefeitura de Porto Alegre realizado entre os dias 19 e 25 de abril, o bairro Nonoai estava entre as regiões da cidade onde a presença do mosquito se enquadrava na categoria crítica — nível mais extremo da infestação.

Por isso, Helen, que contraiu a doença pela segunda vez recentemente, vê a pilha de lixo como um risco à saúde dos moradores da região.

— Eu tive dengue. E a segunda vez que tu tens dengue, para a minha idade, é muito perigosa. Eu tenho uma doença autoimune. De vez em quando, o pessoal da dengue vem aqui para ver se há pratinhos com água, mas se não resolver essa imundície não adianta nada — diz ela.  

Além disso, a maneira como a pilha de lixo está disposta na calçada forma um ponto cego, o que traz receios para a segurança de quem mora no local.

— Sinto insegurança quando eu chego aqui de noite, de ter um ladrão atrás de todo esse lixo — comenta Helen. 

DMLU já conhece a situação

Helen conta que, recentemente, organizou um abaixo-assinado para a retirada do lixo, que foi bem recebido pela vizinhança. A batalha pela limpeza do local, porém, começou antes — quando o terreno ainda era baldio. 

Nos últimos dois anos, a moradora lembra que já fez protocolos e solicitou o serviço de retirada para o 156 — Central de Atendimento ao Cidadão da Capital. 

De acordo com Helen, a angústia e a urgência dos moradores é contraposta com a ausência do poder público. Ela relata que, nos últimos dois anos, a prefeitura realizou a limpeza do local apenas duas vezes.

Procurado pelo Diário Gaúcho, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) informou que o local foi alvo de descarte irregular de resíduos e explicou que “após vistoria pelo Serviço de Fiscalização para identificar os infratores, e passados os trâmites legais equipes poderão efetuar a limpeza da área”. O órgão aponta que a situação já é conhecida. 

“O responsável pelo imóvel foi previamente notificado e autuado. Contudo, os resíduos retornaram ao local. Diante disso, o proprietário será autuado novamente e será realizada a limpeza compulsória do terreno”, diz a nota. “Com relação à remoção dos focos de lixo, esclarecemos que há cerca de 180 pontos crônicos mapeados. Os espaços possuem programações fixas de limpeza, e o cronograma varia conforme frequência e quantidade de resíduos de cada local”, acrescenta.

O que fazer

Em casos como esse, o DMLU explica que é possível abrir solicitações pelos canais oficiais:  

/// Central 156 (telefone ou aplicativo)

/// Site da prefeitura (opção “Limpeza Urbana”) ou presencialmente nos postos de atendimento.  

/// “Reforçamos que o descarte irregular de resíduos constitui infração ambiental e sujeita o infrator a multas e custos de remoção. A colaboração da população é essencial para mantermos a cidade limpa”, diz o DMLU.


*Com orientação e supervisão de Émerson Santos




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