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Aluno superdotado de Caxias do Sul começa faculdade aos 12 anos após ser aprovado com nota máxima em vestibular

Pedro Cuba cursa o 9º ano do ensino fundamental no Colégio Madre Imilda e a partir desta semana vai acompanhar aulas de Psicologia em Saúde

18/05/2026 - 14h12min


Debora Padilha
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O novo colega chamou a atenção da turma. Aos 12 anos, Pedro Eduardo Cuba foi à primeira aula da faculdade, no Centro Universitário Uniftec, nesta quarta-feira (13), em Caxias do Sul. 

Ariéli Ziegler/Agencia RBS
Pedro Cuba cursa o 9º ano do ensino fundamental no Colégio Madre Imilda e a partir desta semana vai acompanhar aulas de Psicologia em Saúde.

— Eu fiquei um pouco perplexa. Receber um aluno tão novo é muito surpreendente, mas acho que vai ser muito legal trocar essa experiência com ele. Sei que ele vai poder nos ensinar muitas coisas, a gente também vai poder ensina-lo — contou a colega universitária Lisie Fabro.  

Morador de Caxias do Sul, Pedro foi aprovado com nota máxima no vestibular de Biomedicina e passa a acompanhar, como aluno ouvinte, aulas da disciplina de Psicologia em Saúde. A facilidade com o conhecimento é por causa da superdotação, identificada ainda na infância. A busca constante por novos aprendizados sempre fez parte da rotina do garoto, que já participou do quadro Pequenos Gênios, do Domingão com Huck.

— Todo novo conhecimento é uma coisa que me deixa feliz. Eu estou realizando um sonho. Essa questão de estar cursando uma cadeira na faculdade faz brilhar meus olhos. É incrível — conta Pedro.

Pulou duas séries na escola

Pedro já avançou duas vezes de turma na escola. No ensino fundamental, ele não cursou o 4º nem o 8º ano, passando diretamente para as séries seguintes.

A aceleração escolar é prevista na legislação brasileira para estudantes identificados com altas habilidades ou superdotação. Mesmo com a experiência universitária, ele continua frequentando normalmente o Colégio Madre Imilda e convivendo com colegas da mesma faixa etária.

Segundo o coordenador pedagógico da escola, o acompanhamento emocional e social é fundamental.

— Não é apenas uma avaliação cognitiva que deve ser feita. A escola precisa cuidar da dimensão emocional e socioafetiva desse aluno — explica Toni Olsen.

Ariéli Ziegler/Agencia RBS
Pedro já avançou duas vezes de turma na escola.

Caso é considerado raro no Brasil

De acordo com o Centro Universitário Uniftec, este é o primeiro caso do tipo registrado pela instituição em 35 anos de atuação. O vice-presidente de operações e serviços acadêmicos, Eduardo Müller Araújo, afirma que Pedro pode acompanhar as aulas teóricas e, futuramente, validar os conhecimentos:

— Ele poderá assistir às aulas como estudante ouvinte, com possibilidade de aproveitamento posterior desses estudos.

O psicólogo clínico e mestre em Psicologia William Fiusa é o professor da disciplina de Psicologia em Saúde e acredita numa troca interessante entre todos:

— Nessa disciplina a gente fala muito sobre empatia, sobre questão do acolhimento, da gente lidar com as diferenças, então acho que a gente vai poder vivenciar um pouquinho do que a gente estava estudando na teoria até então.

A chamada dupla instrução — quando estudantes conciliam educação básica e ensino superior — já ocorre em alguns países, como os Estados Unidos, mas ainda é incomum no Brasil.

Para a vice-presidente da Associação Gaúcha de Apoio às Altas Habilidades e Superdotação e assessora técnica da Faders, entidade que cuida da inclusão na educação, Lúcia Lamb, a legislação brasileira já prevê mecanismos para atender alunos com essa identificação.

— O estudante deve ser atendido de acordo com as suas potencialidades. O que falta muitas vezes é regulamentação e integração entre educação básica e universidade — afirma.

O avanço nos estudos precisa ser acompanhado de suporte psicopedagógico para equilibrar o desenvolvimento intelectual e emocional.

Sonho é virar neurocirurgião

A família de Pedro comemora a nova fase.

— Acho que é um grande momento para toda a comunidade de altas habilidades e superdotação, porque a mente do superdotado está sempre em busca de mais conhecimento, então ele precisa se alimentar disso. E aí possibilitando ele estar na faculdade, que é um meio realmente de muita ciência e tecnologia, isso é fantástico — diz a mãe Viridyana Regis Cuba.

Ariéli Ziegler/Agencia RBS
A família de Pedro comemora a nova fase.

Enquanto descobre o universo acadêmico, Pedro já planeja o futuro profissional:

— Quero ser neurocirurgião. É o meu grande sonho poder auxiliar as pessoas operando o cérebro delas, ajudar milhões de pessoas com esse meu dom.

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