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Batalha do Resy reúne as crianças para rimar em Viamão
Nas sextas-feiras, o colunista Émerson Santos escreve sobre educação, cultura, inovação e toda a diversidade presente nas comunidades


Ao ver crescerem e se espalharem as batalhas de rima na região, uma galera de Viamão percebeu que havia uma lacuna. Observaram crianças nas ruas, na escola ou mesmo em suas casas criando versos ao som de palmas.
— Certa hora a gente teve um estalo e pensou, “pô, por que não fazer uma batalha de rima aqui, só para essas crianças?” — relembra Gabriel Nascimento Bittencourt, conhecido como Mano Gringo.
Na companhia de Alessandro Wayne, o Dugordo MC, começou a organizar as ideias para lançar a Batalha do Resy. Ele conta que começaram a pensar o projeto do zero, mesmo sem ter um lugar ou qualquer apoio financeiro. Conversando com pessoas, conseguiram apoio para realizar as duas primeiras edições no pátio da casa de um amigo. Um outro parceiro, que trabalha com sonorização, ajudou com a aparelhagem.
Ao reunir dezenas de crianças, já no primeiro encontro, em 2024, perceberam que seria importante preparar também um lanche para essa galerinha que compareceu. Mas, para além de alimentação, viram que ali nascia uma iniciativa que naturalmente se ampliaria para além de uma batalha.
A partir da terceira edição, começaram a ocupar uma praça na Rua A, na altura do número 390. Com o avanço dos encontros, que ocorrem uma vez por mês, outras demandas surgiram e novas ações foram entrando. Também se somaram ao projeto as irmãs Tainá Silveira, a Orbe, e Lili Leite, a Lilith.
Hoje, quando ocorrem os eventos da Batalha do Resy, a programação começa pela manhã, com cortes de cabelo para a criançada. No decorrer do dia, também rolam apresentações de artistas da comunidade e ações com o pessoal do skate. Após o almoço, costumam ocorrer oficinas e, para fechar o dia, acontece a batalha de rimas.
— E daí a gente começou a trazer também todos os quatro elementos do hip hop, que são o DJ, o MC, o grafite e o breaking. Se tornou um projeto cultural — destaca.
Mano Gringo conta que, atualmente, os encontros reúnem entre 50 e 70 participantes. Mas já rolaram edições, como a de aniversário do projeto, em que passaram 150 pessoas ao longo do dia. Algumas dessas crianças que começaram a treinar rimas no Resy hoje já estão indo para outras batalhas. Ele conta que elas chegam tímidas, sem saber muito o que fazer, e lá “se sentem abraçadas pela cultura”:
— E outro motivo também é tirar eles da vulnerabilidade social, né, cara? Foi esse um dos principais fatores que a gente ergueu a batalha, tirar eles das ruas. E Viamão, em se tratando de cultura, não tem absolutamente nada. Então, somos ativistas sociais mesmo.
Um desafio que eles têm hoje é formalizar o projeto para conseguir participar de editais. A ideia é, com apoio financeiro, ampliar as ações e realizar mais edições ao mês. Enquanto isso, seguem na batalha de impactar as crianças da comunidade.
Agenda
- No domingo (31), o pessoal da Batalha do Resy irá se reunir com outros grupos para uma ação conjunta no Todo Dia Skate Plaza (R. Graciliano Ferreira, 16 – Cecília, Viamão). Será um evento promovido por eles e pelas batalhas da Caxa, da Fe e da Fiel.
- Começa às 13h e reunirá MC’s, skatistas, artistas e quem mais se interessar pela cultura de rua.
Bonecos pelas ruas das Capital

Grandes figuras irão circular pela Esplanada da Restinga (Estr. João Antônio da Silveira, 2.359) no espetáculo Estranhas Criaturas – Cortejo de Bonecos. A peça, que mistura teatro de rua e música ao vivo, apresenta um cortejo conduzido por um boneco gigante. Esse ser é acompanhado por criaturas híbridas manipuladas pelos artistas ao longo do percurso.
A apresentação será na quarta-feira (3), às 15h30min. A proposta de levar o espetáculo para a Restinga é fazer um movimento de descentralização da cultura. Ou seja, facilitar o acesso para quem não mora na região central da cidade.
Apesar disso, também haverá uma segunda sessão, essa no Parque da Redenção, junto ao espelho d’água, no dia 6 de junho. Uma oportunidade para que pessoas de outras regiões da cidade possam também ver a apresentação. Essa será às 16h.
A narrativa é guiada por uma reflexão sobre os deslocamentos forçados de pessoas diante dos conflitos atuais que ocorrem no mundo. A ideia é fazer da estranheza uma ferramenta para que o público reflita sobre o que parece familiar, mas que, ao mesmo tempo, é desconhecido.
A peça é uma produção do IN Coletivo Cênico.