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Intolerância ao glúten

Doença celíaca: saiba quais os principais sintomas e os cuidados necessários para quem tem

Não há cura para a condição, que pode ser difícil de diagnosticar

13/05/2026 - 05h00min


Diogo Duarte*
Diogo Duarte*
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Proteína está presente em alimentos como pães, massas e bolos.

Neste sábado, 16 de maio, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização da Doença Celíaca. Autoimune e de origem genética, a condição causa inflamação no intestino de crianças e adultos após a ingestão de glúten – proteína presente no trigo e em outros cereais utilizados no preparo de alimentos como pães, massas e bolos, além de cerveja. 

Para esclarecer dúvidas sobre o diagnóstico e os cuidados necessários para quem é celíaco, o Diário Gaúcho conversou com o gastroenterologista e endoscopista Jerônimo De Conto Oliveira, que também é professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Conforme o especialista, a doença é caracterizada por uma inflamação que ocorre quando o glúten entra em contato com a mucosa do intestino delgado, o que prejudica sua capacidade de processar alguns alimentos e de absorver nutrientes. Ela pode se manifestar durante a infância ou posteriormente.   

– A doença celíaca pode passar sem sintomas ou despercebida durante décadas, muitas vezes sem gerar qualquer repercussão significativa para quem a tem. Então, não precisa haver nenhum pânico, nenhuma ansiedade generalizada de risco de ter uma doença que não está estabelecida – enfatiza.

Avaliação

De acordo com o Ministério da Saúde, anemia por deficiência de ferro, dor nos ossos e fadiga são alguns dos sintomas mais comuns entre adultos. No caso das crianças, diarreia, inchaço e dor abdominal, além de atraso no crescimento e na puberdade, podem ser sinais. A orientação de Oliveira é de que, caso identifique esses sintomas, o paciente ou responsável (no caso das crianças) deve procurar um gastroenterologista ou um médico clínico para avaliação

– O anti-transglutaminase (teste para rastreio da doença celíaca) é um exame comum, disponível em todos os laboratórios. Se o exame vem alterado ou há alguma indefinição diagnóstica, faz-se a endoscopia digestiva para retirar material do intestino delgado ou do duodeno para confirmar se tem ou não a doença – explica o professor. 

Oliveira ressalta que o diagnóstico se torna dificultado quando a pessoa já está sem ingerir glúten. Por isso, a recomendação é não restringir a dieta antes da consulta com o médico.  

Caso o exame confirme a condição, será necessário fazer uma dieta sem qualquer quantidade de glúten, ou seja, não ingerir nenhum alimento com trigo, centeio ou cevada em sua composição. 

– É importante alertar que não existem, hoje em dia, remédios, enzimas, fitoterápicos ou qualquer substância que permita o uso de glúten para quem tem doença celíaca. Há substâncias que se propõem a digeri-lo e permitir que o celíaco ingira pães, mas isso não tem eficácia comprovada e não está indicado – pontua o especialista.

Resíduos

Por fim, o professor da UFCSPA alerta para o cuidado com a contaminação cruzada, que pode provocar os sintomas mesmo ao consumir alimentos livres de glúten. 

– Bancadas de padaria, por exemplo, ou restaurantes, precisam ter uma higienização ou um local específico para preparar uma refeição sem glúten. Uma frigideira que fez há pouco uma panqueca com farinha de trigo não pode ser a mesma que vai fazer na sequência uma tapioca para uma pessoa que tem doença celíaca. Tem que ter todo um preparo para eliminar qualquer resíduo de glúten que possa haver no preparo anterior – finaliza. 

Ainda segundo o Ministério da Saúde, o consumo contínuo de glúten por pessoas celíacas pode levar a risco maior de desenvolver condições de saúde mais graves, como câncer no intestino e desnutrição. Por isso, é importante atentar aos sintomas e procurar um médico caso haja suspeita. 

*Com orientação e supervisão de Émerson Santos


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