Clima
El Niño: entenda o que é, a previsão para este ano e o impacto no RS
Fenômeno caracterizado pelo aquecimento acima da média e persistente do Oceano Pacífico equatorial altera o regime de chuva no Brasil


O El Niño é um fenômeno climático natural e global caracterizado pelo aquecimento acima da média e persistente do Oceano Pacífico equatorial. A última ocorrência, registrada entre 2023 e 2024, foi considerada uma das mais fortes da história e coincidiu com períodos de enchente no Rio Grande do Sul.
Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA na sigla em inglês), o evento é declarado quando as temperaturas no oceano registram um aumento de pelo menos 0,5°C acima da média histórica por um período prolongado.
A dinâmica desse aquecimento está ligada ao enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente empurram as águas quentes em direção à Ásia.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) aponta que a permanência dessa enorme massa de água quente perto da América do Sul intensifica a evaporação e altera a circulação atmosférica em todo o planeta, criando um efeito dominó que modifica os padrões globais de pressão, chuva e seca.
Influência no país
Por possuir dimensões continentais, o Brasil vive em uma gangorra climática durante o El Niño: enquanto uma extremidade do país sofre com secas, a outra lida com excesso de água.
Nas regiões Norte e Nordeste, a ocorrência do fenômeno causa períodos de estiagem. Isso reduz os níveis dos rios e aumenta a chance de incêndios florestais. As regiões Centro-Oeste e Sudeste sofrem com a perda da regularidade da chuva e ficam com temperaturas acima da média para o período.
Os Estados do sul brasileiro, entre eles o Rio Grande do Sul, convivem com chuvas contínuas e volumes extremos, causando enchentes, transbordamento de bacias hidrográficas e perdas nas safras agrícolas por apodrecimento das raízes ou impossibilidade de colheita. Os invernos também se tornam mais úmidos e quentes.
Cenário atual
A previsão é de que, em 2026, o El Niño deva se formar antes do previsto. O contínuo aquecimento do Oceano Pacífico equatorial observado ao longo das últimas semanas levou a NOAA a elevar o percentual de probabilidade de consolidação do fenômeno no trimestre de maio a julho de 61% para 82%.
A entidade também elevou o risco de um evento "muito forte" devido à rapidez desse aquecimento e de uma forte anomalia de temperatura verificada abaixo da superfície da água.
Incerteza na intensidade
Conforme a Climatempo, a dúvida do momento é se o aquecimento do Pacífico equatorial chegará mesmo a um patamar de “Super El Niño”, algo que só será possível descobrir com a evolução da anomalia. Quanto mais quente o oceano, mais forte fica a influência do El Niño no clima global.
Veja abaixo a classificação de intensidade do fenômeno:
- Fraco: de 0,5°C a 0,9°C
- Moderado: de 1°C a 1,4°C
- Forte: de 1,5°C a 1,9°C
- Muito forte (Super El Niño): igual ou maior que 2°C
Outro fator preocupante é que os oceanos estão mais quentes do que o normal. “Este excesso de energia oceânica, além do aquecimento associado ao El Niño, potencializa eventos meteorológicos extremos em muitas regiões do planeta no decorrer do ano de 2026”, afirma a Climatempo.
Como foi o último
A última ocorrência do El Niño, registrada entre 2023 e 2024, foi considerada uma das cinco mais fortes já documentadas, segundo a Organização Meteorológica Mundial. A anomalia ocorreu em um período de chuvas históricas e enchentes no Rio Grande do Sul.
Nessa época, o aquecimento superficial da água do oceano Pacífico atingiu pico de 2°C acima da média, mais fraco apenas do que os eventos registrados em 1997/1998 e 2015/2016.