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PIQUETCHÊ DO DG

Fátima Gimenez é a patrona da Capital

Cantora porto-alegrense relembra trajetória na música gaúcha e fala sobre renovação da cultura tradicionalista

25/05/2026 - 13h31min


Henrique Moreira*
Henrique Moreira*
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Fernando Gomes/Agencia RBS
Momento é simbólico para Fátima, que tem quase 50 anos dedicados à canção regional.

A emoção atravessa a voz de Fátima Gimenez ao falar sobre ter sido escolhida como patrona dos Festejos Farroupilhas de Porto Alegre 2026. O anúncio foi oficializado no dia 14 de maio. Com quase cinco décadas dedicadas à música nativista, a cantora e compositora diz receber o convite como uma grande honra e também como responsabilidade.

– Fiquei muito emocionada, porque sem dúvida é uma grande honra essa homenagem. E uma responsabilidade também, de levar a cultura gaúcha adiante e representar a mulher – afirma.

Porto-alegrense, Fátima começou cedo na música. Aos nove anos, seu talento foi descoberto pelo pai enquanto ela cantava em casa as músicas que ouvia no rádio. Ao longo da carreira, levou a música gaúcha para outros países, como Argentina, Paraguai, Portugal e Espanha. Para ela, o reconhecimento como patrona chega em um momento simbólico.

– No ano que vem, vou completar 50 anos dedicados à música gaúcha. Temos uma cultura riquíssima e um povo hospitaleiro, então pra mim é um motivo de orgulho – conta.

Tradição

A cantora integrou o grupo acústico-vocal Tempero antes de seguir carreira solo, e foi uma das poucas mulheres atuantes no movimento nativista durante as décadas de 1970 e 1980.

– Sempre houve maior participação masculina dentro do movimento. Nós éramos três ou quatro mulheres atuando com frequência. Hoje temos meninas cantoras, compositoras e grandes musicistas – destaca.

Um dos momentos mais marcantes da trajetória aconteceu em 1989, quando decidiu gravar o Hino Rio-Grandense em seu primeiro disco solo. Na época, interpretações cantadas eram proibidas fora de execuções marciais e oficiais.

– Sonhei que cantava o hino para milhares de pessoas. Incluí o hino no disco, coloquei a gaita no arranjo pela primeira vez e quis interpretar sem aquela marcialidade – relata.

A decisão quase levou ao embargo do álbum. Dias depois da gravação, Fátima recebeu uma intimação. A liberação veio após a defesa do tradicionalista e advogado Antonio Augusto Fagundes (Nico Fagundes).

– Foi um divisor de águas. Hoje eu me emociono quando vejo crianças cantando o hino. Os símbolos pertencem ao povo – afirma.

Frequentadora do Acampamento Farroupilha há mais de 25 anos, a cantora acredita que a tradição precisa acompanhar as transformações do tempo sem perder a conexão com as origens.

– A continuidade está nos jovens. A tradição é espontânea, vai passando de geração em geração – diz.

História

Fátima Gimenez também lançou, no ano passado, o livro Uma mulher chamada Cabo Toco junto com Nilo Bairros de Brum, sobre Olmira Leal de Oliveira, a Cabo Toco, considerada a primeira mulher soldado da Brigada Militar.

A obra revisita a trajetória dela, que ganhou reconhecimento após Fátima interpretar a música Cabo Toco na quinta Vigília do Canto Gaúcho, em Cachoeira do Sul, em 1987.

Segundo a cantora, o livro busca reunir relatos reais sobre Olmira e combater versões distorcidas que passaram a circular ao longo dos anos:

– Nós resolvemos contar como tudo aconteceu porque ouvimos a própria voz da dona Olmira.

Acampamento Farroupilha

/// O evento ocorre no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, em Porto Alegre, e tem como tema central “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”. 

/// O acampamento será entre 29 de agosto e 20 de setembro.

/// A programação terá mais de 120 atrações culturais, incluindo 80 shows musicais e um espetáculo teatral alusivo aos 400 anos das Missões.

/// Outra atividade confirmada é a Ciranda Escolar, que reunirá estudantes das redes municipal e estadual e prestará homenagem ao centenário de Dimas Costa, compositor do Parabéns Gaúcho.

/// As inscrições para os piquetes interessados em participar do acampamento começam hoje e seguem até sexta-feira. O credenciamento deve ser feito presencialmente no Centro Municipal de Cultura, no bairro Menino Deus, mediante entrega da documentação exigida.

*Com orientação e supervisão de Caroline Tidra



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