Coluna da Maga
Magali Moraes: caiu o sistema
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Quando me dizem isso, dá vontade de perguntar: e ele se machucou? Quer ajuda pra levantar? O sistema cai nas marcações de consultas e exames, nos atendimentos de banco, telefonia e outros serviços básicos em que gastamos minutos preciosos esperando alguma resolução… pra voltar à estaca zero e recomeçar. As soluções do dia a dia estão muito atreladas à tecnologia. Ela ajuda, mas também atrapalha. “Caiu o sistema” é um código secreto e indecifrável.
Se estivermos tentando resolver essa treta por telefone, quem cai primeiro? O sistema ou a ligação? Não pode ser só coincidência. É uma provação do destino pra testar a nossa paciência. O que era pra ser algo simples vira um looping de espera e tentativas frustradas. Sem falar nos bots com suas vozes mecânicas querendo bancar os simpáticos. Agora se estamos na frente da pessoa que dá a notícia da queda do sistema, vem junto uma expressão facial de “Ops, a culpa não é minha”.
Joelhos
O tal do sistema adora cair. Tipo criança arteira, sabe? Leva cada tombo que só vendo. Cai e fica estatelado no chão, imobilizado na nuvem, sei lá. Cai e tem todo o tempo do mundo pra levantar. Se o sistema tivesse joelhos, seriam roxos, rasgados e estropiados. Se tivesse cabeça, já teria levado pontos. Se tivesse braços, teria pinos. Pela duração imprevisível da queda de sistema, imagino um baque violento, uma caída feia, um tropeço, um baita escorregão. Ficamos que nem ele, paralisados e sem ação.
O que fazer quando o sistema cai e não tem previsão de volta? Praguejar. Ou se conformar. Pensar na vida. Futricar na cutícula. Arrancar a pele do dedo. Coçar o nariz. Mexer no celular. Se perguntar se precisa mesmo esperar. E refletir. A que ponto chegou a humanidade, que se acha tão avançada, mas depende tanto da dona tecnologia? Essa moça temperamental que faz o que quer com a gente (e com os nossos dados). Reze pro sistema não cair. Respire fundo.