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Coluna da Maga

Magali Moraes e a borra de café

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

11/05/2026 - 05h01min


Diário Gaúcho
Diário Gaúcho
Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes

Se alguém lesse a borra do meu café, descobriria: “Nossa, quanta cafeína!” Nada novo pra quem convive comigo. Cada vez que jogo fora a borra, penso que deveria agradecer dando um fim mais digno ao que sobrou dessa fonte de motivação diária. Adubar as plantas? Neutralizar odores? Esfoliar a pele? Nunca imaginei esse uso, não há o que não haja pesquisando na internet. Com a quantidade de borra de café que eu produzo, nesse caso, voltaria a ter uma pele de bebê.

Prefiro beber o néctar precioso que a borra gentilmente me oferece. Só não leve esse néctar ao pé da letra, que meu cafezinho sagrado é sem açúcar. Quando erro a medida da água ou do pó de café, me pergunto por que mesmo eu gosto desse líquido forte, turvo e amargo. O cheiro do café passando é tão mais gostoso. E tem o ritual que me encanta. Quando encontro boas ofertas, posso moer os grãos e condicionar meu paladar a sentir um sabor superior (o que nem sempre acontece).

Bridgerton

Moer grãos é legal, dormir bem é infinitamente melhor. Então não posso exagerar na dose. O prazer do cafezinho termina no meio da tarde. Já o prazer das novidades não tem hora. Comprei Melitta Bridgerton só porque a embalagem é bonita. O que a leitura da borra do café diria sobre isso? “Nossa, quanta bobagem!”. Prefiro acreditar que ela diria coisas mais bacanas ao meu respeito. Como a determinação ao abandonar o adoçante anos atrás. Ou elogiar a produtividade movida à café.

Isso não li na borra, mas no Google: Cafeomancia é o nome da técnica que interpreta o significado dos resíduos que sobram no fundo da xícara. Uma prática ancestral e milenar que se faz com café turco, pelo que entendi. Mas será que eu quero saber o que me reserva o destino? O presente já é complicado de lidar. Mexer no passado não muda o que já aconteceu. E o futuro, deixa quieto. A gente cria expectativas demais. Vou seguir saboreando meu(s) cafezinho(s) na santa paz.

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