Coluna da Maga
Magali Moraes e o álbum da Copa
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Daqui a menos de um mês tem Copa do Mundo, evento que consegue mobilizar até quem não gosta de futebol, mas acaba se empolgando com o lado festivo e as curiosidades em torno disso. Torcer pelo Brasil é legal, tomara que até lá a gente sinta vontade e entre no clima (sempre é bom ter uma desculpa pra comer pipoca na frente da TV). Empresas flexibilizam horários na hora dos jogos. O mercado de perucas, camisetas, bandeirinhas, cornetas, apitos e buzinas agradece.
Pra um time em especial, o Mundial já começou. São os colecionadores do álbum da Copa. Os que fazem loucuras pra conseguir mais figurinhas. Os que trocariam até a sua mãe por uma raridade que falta pra completar o bingo da página. A Copa é a única época onde o bafo ganha outro significado (e é desejado). Onde bater se torna um verbo aceitável porque coladinho dele vem um trunfo. Bater figurinha é coisa de craque e de perna-de-pau. É uma febre que contagia os pais.
Sábados
Aqui em casa só tem aparecido figurinha dentro do rótulo de refri. Quando meus filhos eram pequenos, trocar figurinhas da Copa era o programa mais esperado dos sábados. Nenhum frio era capaz de impedir essa prática nas esquinas do bairro. Agora inventaram os pontos oficiais de troca, já vi até em farmácia. Se é febre, faz sentido. Quanto se gasta pra completar o álbum? Uma pequena fortuna. Os pais entram em campo com dinheiro e tempo livre. A nostalgia faz virar criança.
Esses dias, li que as escolas em São Paulo estão criando regras sérias pra troca de figurinhas no recreio, a fim de evitar conflitos. Tem negociação, tem os espertinhos, tem os pais que se metem, tem de tudo. O bom é que não tem tela: esse é um hobby analógico. Se bem que eu duvido que não usem a IA pra criar figurinha fake ou o ChatoGPT pra descobrir onde conseguir as que faltam. Imagina que lindo se todo mundo boicotasse as figurinhas de jogadores da Seleção que divulgam bets.