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Coluna da Maga

Magali Moraes: quem performa

Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho

22/05/2026 - 05h01min

Atualizada em: 22/05/2026 - 05h01min


Diário Gaúcho
Diário Gaúcho
Fernando Gomes/Agencia RBS
Magali Moraes

Tem os que performam, os que vivem e os que apenas sobrevivem. Cada um faz o que pode, não tá fácil pra ninguém. Por isso me irrito com os performáticos, esse tipo de pessoa que precisa ser melhor em tudo que faz. Precisa estar nos holofotes, nem que seja um modesto ring light ligado (o anel de luz aquele). Qual é o problema de viver um dia de cada vez, sem a necessidade constante de performar como se a vida fosse sempre um palco, como se qualquer tarefa cotidiana merecesse aplausos?

Pra eles, tudo é performance. Não basta comer direito, tem que exibir o prato milimetricamente equilibrado com proteínas, carbos e folhas. Não é suficiente treinar, tem que suar sem perder a pose. Tem que puxar mais ferro e ter o treino mais perfeito. Um performático transforma tudo em conteúdo nas redes sociais, e não nos poupa de cada mísero detalhe da sua rotina. Resolver perrengue é sempre um caso de superação. Superar e performar, não necessariamente nessa ordem.

Recorde

Lembra quando o verbo performar era ligado aos atletas? Bater um recorde, isso sim é performance. Com medalhas, cobranças, desafios e privações que fazem parte do pacote. Do lado de cá, a gente não precisa se cobrar tanto assim. Se tudo vira performance, banaliza. O coitado do verbo performar já não aguenta ser usado em vão. Virou genérico, perdeu o ar de conquista. Primeiro foi a superação que desgastou, agora a performance está descambando pro mesmo caminho.

Tomara que grandes artistas, atores, músicos e escritores continuem performando nas artes, cinema, teatro, música, literatura. Já no ambiente corporativo, a performance cada vez mais é sinônimo de exaustão mental, burnout, abusos de poder e outras pragas modernas. Realizar é bacana, performar suga a energia. A cultura da eficiência sabe ser cruel: nunca vai estar bom o suficiente. Performáticos do dia a dia, baixem a bola. Enquanto vocês performam, a vida passa.

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