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Maio verde: entenda os principais sinais, riscos e tratamentos para o glaucoma

Doença é a principal causa de cegueira irreversível no mundo e pode evoluir sem sintomas. Mês de maio é marcado pela conscientização sobre a condição. 

27/05/2026 - 13h54min


Gabriel Vieira*
Gabriel Vieira*
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Cristine Rochol/SMS
O paciente pode apresentar a doença sem sentir nenhum sintoma

O mês de maio é marcado pela conscientização sobre o glaucoma, que é uma condição ocular progressiva e pode causar danos permanentes ao nervo óptico, caso não seja tratado. A doença está associada ao aumento da pressão intraocular e pode se desenvolver sem apresentar sintomas. 

Na última terça-feira, foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, data que reforça a importância da conscientização e do diagnóstico precoce. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2030, haverá cerca de 100 milhões de portadores de glaucoma mundialmente. Atualmente, a doença é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Segundo a oftalmologista Helena Pakter, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, é necessário consultar um especialista regularmente para diagnosticar a doença.  

– Embora o acompanhamento oftalmológico regular seja importante para todos, no caso do glaucoma a atenção deve ser ainda maior na vida adulta, já que o risco da doença aumenta com o envelhecimento – explica a oftalmologista. 

Descoberta

Se a condição não for descoberta de forma precoce, à medida que a doença evoluir, os pacientes vão perder a visão periférica, aquela que fica nas laterais do campo de visão. 

Com a idade avançando, a probabilidade de adquirir a doença aumenta cada vez mais. De acordo com o Ministério da Saúde, na faixa dos 70 anos, de 3,5 a 5,5% da população brasileira tem glaucoma.  O principal fator de risco é a alta da pressão intraocular. Assim como a pressão cardíaca, também é necessário acompanhar o seu nível de variação: 

– Após medir a visão do paciente, a gente pinga uma gotinha de colírio anestésico e faz a medida. Um procedimento bem rápido, indolor. E aí, tenta-se ver quais os indivíduos que têm mais risco de desenvolver glaucoma – esclarece Helena sobre os procedimentos realizados em consultas e ainda complementa: 

– Para avaliação do fundo do nervo óptico, a gente precisa usar alguns instrumentos, como uma lanterna especial, lentes especiais, mas que também é feito no próprio consultório.



Prevenção e fatores de risco

Alguns fatores de risco estão associados ao desenvolvimento da doença, como idade avançada, hipertensão arterial, miopia elevada, diabetes, histórico familiar e maior incidência em pessoas negras. 

– Pacientes que têm familiares próximos com glaucoma, pais ou irmãos, podem ter até nove vezes a chance de desenvolver glaucoma – diz a especialista. 

Nesses casos, o segredo é prevenir desde cedo. É necessário ter acompanhamento de um oftalmologista e seguir o tratamento corretamente. 

– A prevenção da doença é feita com avaliação dos indivíduos que são mais suspeitos de terem glaucoma. 


Diferentes tipos e cuidados específicos 

Segundo a oftalmologista do Clínicas, a doença tem outros tipos para além do mais conhecido e que atinge os adultos. Cada um deles apresenta cuidados específicos. A condição é mais comum em adultos, mas crianças também podem desenvolvê-la. No geral, os casos são assintomáticos e é possível tratar com colírios, lasers ou cirurgias, no entanto, cada caso deve ser avaliado por um médico. 

/// Glaucoma na infância: É importante ficar atento a qualquer alteração na visão ou na aparência dos olhos das crianças. Caso ocorra algum tipo de alteração, os pequenos devem ser levados a um especialista para a realização de exames. Nesses casos o tratamento é realizado com colírios de acordo com o nível da doença.                                  

/// Glaucoma congênito: Nesse tipo, a criança já nasce com essa doença ou apresenta-se nos primeiros anos de vida. Geralmente é recomendado um tratamento cirúrgico para prevenir e para preservar a visão da criança.

/// Glaucoma agudo: Esse tipo é diferente dos demais que são assintomáticos. Nesse quadro, o indivíduo apresenta uma dor ocular muito forte. O paciente deve ir até uma emergência para realizar o tratamento  mais rapidamente. 


Tratamentos 

Segundo a especialista, o tratamento vai depender do estágio e do tipo do glaucoma que o paciente tiver. 

– Nesses estágios mais iniciais, o glaucoma pode ser tratado com o uso de colírios. Eles vão reduzir a pressão intraocular e diminuir a chance da doença progredir – explica. 

A oftalmologista ainda ressalta que nos últimos anos houve mudanças no tratamento para as fases iniciais e moderadas da doença. Nesses casos, além dos colírios, estão disponíveis alguns tipos de lasers, que também vão baixar a pressão intraocular. Já em estágios mais avançados, é recomendável realizar cirurgias para frear a doença e controlar a pressão: 

– Quando já tem uma perda significativa da visão ou quando há dificuldades no controle da pressão intraocular, a gente vai fazer o uso de cirurgias para o glaucoma – Helena ainda complementa sobre a importância de realizar os tratamentos necessários para perder o mínimo possível de visão: 

– É importante lembrar que todo tratamento é para diminuir a chance da doença progredir. Atualmente a gente não tem como recuperar a visão que foi perdida pelo glaucoma, mas sim, como controlá-la para que ela não continue progredindo.


*Com orientação e supervisão de Émerson Santos


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