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Aedes em baixa

Número de casos de dengue cai 97% no Rio Grande do Sul em relação ao ano passado

Condições climáticas, imunidade a sorotipos mais comuns e uso de "armadilha" para mapear áreas infestadas estão entre os motivos da queda

08/05/2026 - 20h10min

Atualizada em: 08/05/2026 - 20h10min


Paulo Rocha
Paulo Rocha
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Mateus Bruxel/Agencia RBS
Ação de combate à dengue no bairro Camaquã, na Capital, em 2025, ano em que casos chegaram a 35.433 no RS

O Rio Grande do Sul registra uma queda de 97,1% no número de casos de dengue em 2026. A comparação considera as primeiras 18 semanas epidemiológicas deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Conforme o painel de casos de dengue da Secretaria Estadual da Saúde (SES), até sexta-feira (8) foram confirmados 994 casos da doença e um óbito. No mesmo período de 2025, foram registrados 35.433 casos e 32 óbitos.

De acordo com a vigilância epidemiológica, o resultado é fruto de um conjunto de fatores que envolve desde condições climáticas menos favoráveis ao mosquito aedes aegypti, o avanço das ações de controle e o aumento da imunidade da população gaúcha.

— Nós viemos de um cenário totalmente diferente do que se via antes de 2022, com números muito elevados de casos e ampla circulação dos sorotipos 1 e 2. Hoje, uma grande parte da população já está imune a esses tipos — explica a bióloga Valeska Lagranha, responsável pela Vigilância Epidemiológica das Arboviroses da SES. 

Segundo a bióloga, apesar da reintrodução do sorotipo 3 da dengue no Rio Grande do Sul no ano passado, ela ficou restrita a alguns municípios. Em 2026, a vigilância epidemiológica ainda não detectou a circulação do sorotipo 3 no Estado

As condições climáticas também ajudaram a conter o avanço da doença no início do ano. O inverno de 2025 foi considerado mais rigoroso do que os dos anos anteriores, com primavera mais seca, cenário menos favorável à reprodução do mosquito.

Além disso, o Rio Grande do Sul ampliou estratégias de monitoramento e controle do aedes aegypti, como o uso de ovitrampas, uma espécie de armadilha que permite identificar e mapear bairros com maior presença de ovos do mosquito

Atualmente o recurso já está implementado em 342 municípios (cerca de 86% do Estado). Em 2026, mais 104 aderiram à estratégia. Também houve investimento na borrifação residual intradomiciliar (BRI), técnica que aplica inseticida em superfícies onde o mosquito costuma pousar, com efeito prolongado de até quatro meses.

Alerta para a influência do El Niño

Mesmo diante do cenário favorável, a Secretaria da Saúde reforça que não é possível prever como será o comportamento da dengue no segundo semestre. A principal preocupação é a possível atuação do El Niño, fenômeno que pode trazer temperaturas acima da média e aumento das chuvas, condições ideais para a proliferação do mosquito.

— Mesmo com números baixos, a gente não pode relaxar. O El Niño pode criar um ambiente muito favorável ao aedes aegypti. Por isso, a prevenção precisa ser contínua — alerta Valeska Lagranga.

Vacinação ainda em fase inicial

Apesar do avanço recente da vacinação contra a dengue, Valeska Lagranha pondera que ainda é cedo para medir o impacto direto das vacinas na redução dos casos. A Qdenga, de fabricanção japonesa, começou a ser aplicada de forma restrita em 2024 e só passou a ser ofertada a todos os municípios em 2025. Já a vacina do Butantan, em 2026, está voltada a profissionais da atenção primária.

Número de casos de dengue no RS até a semana epidemiológica 18

  • 2026 — 994
  • 2025 — 35.433
  • 2024 — 164.148 
  • 2023 — 22.807
  • 2022 — 56.532
  • 2021 — 9.327
  • 2020 — 3.047

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