Notícias



Em Camboriú

Pastora viraliza ao pedir que mulheres vítimas de violência doméstica denunciem maridos agressores

Pregação de Helena Raquel já conta com mais de 14,8 milhões de visualizações nas redes sociais

06/05/2026 - 15h23min


Zero Hora
Enviar E-mail
Instagram: @helenaraquelofc/Reprodução
Pastora Helena Raquel tem 1,7 milhão de seguidores mas redes sociais.

A pregação da pastora Helena Raquel, em que orienta mulheres evangélicas vítimas de violência doméstica a denunciarem os seus agressores, ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias. Ela tem 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais e o vídeo já soma 14,8 milhões de visualizações. 

Ao compartilhar o trecho da pregação, a pastora afirmou que "não existe unção que justifique abuso". As declarações foram feitas no último sábado (2), durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões, em Camboriú (SC).

Para de orar por ele (marido agressor) hoje. Deus me trouxe aqui para usar os minutos que todos os pregadores no Brasil gostariam de usar para salvar a sua vida da morte. Para de orar por ele hoje e comece a orar por você — afirmou a pastora, em discurso aplaudido pelos fiéis.

A líder religiosa disse que, por ter crescido em um lar cristão, entende que, em muitas igrejas, mulheres são orientadas a não expor episódios de violência para preservar os agressores e evitar escândalos. Ela também indicou canais confiáveis para denúncia, como a Central de Atendimento à Mulher, do Ministério das Mulheres, e o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, voltado ao registro de violações (saiba mais abaixo).

— A partir de agora, você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra. Você precisa, com urgência, ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. Por último: não acredite no pedido de desculpas porque quem agride, mata. Saia daí — completou Helena Raquel.

O post recebeu milhares de comentários de apoio nas redes sociais. "Você salvou a vida de muitas mulheres com essa pregação", escreveu uma internauta. "Religiões sempre salvaram vidas; esse é o papel de uma pastora ou de qualquer liderança religiosa", comentou outra.


Quem é a pastora Helena Raquel

Helena Raquel atua como pastora evangélica há mais de três décadas. Ela é líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV) no Rio, casada com o pastor Eleomar Dionel e mãe de uma menina.

Além de cumprir com as suas obrigações religiosas, Helena é autora de 13 livros, professora e mentora de mulheres. Ela também é idealizadora do projeto Pastoras do Brasil, que apoia e impulsiona a liderança feminina. Algumas de suas obras incluem Libertando a Alma, a coletânea Crescendo com as Mulheres da Bíblia e Eleitas: a legitimidade e o valor do ministério feminino.

Em entrevista ao g1, a pastora disse que o tema da pregação que viralizou não surgiu a partir de um caso específico, mas de um direcionamento espiritual.

— Foi um direcionamento de Deus ao meu coração através da oração. Estou certa de que a proteção à criança e à mulher é um tema de grande importância cristã e precisa ser abordado, ensinado e defendido — afirmou.

Helena Raquel também relatou que já teve contato com casos de violência, o que a marcou profundamente. Segundo ela, um homem se infiltrou em uma igreja, aproximou-se do ministério infantil e sequestrou e assassinou uma criança.

— Aquilo me chocou profundamente. Entendi que, mesmo em ambientes cheios de amor e paz, o mal pode se infiltrar. Nossos critérios precisam ser mais rígidos e o senso de proteção, redobrado — disse.

A pastora ainda deixou um recado direto para vítimas de abuso em ambientes religiosos:

Independentemente da religião, ninguém deve se calar diante da violência. Denuncie, busque um ambiente seguro. E não se sinta rejeitado por Deus, muito pelo contrário, mantenha-se nos braços dele.

Como pedir ajuda em caso de violência contra mulher

Brigada Militar | 190

  • Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado

Polícia Civil

  • Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas
  • Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências)
  • A outra fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h
  • As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link

Delegacia Online

  • É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência

Central de Atendimento à Mulher 24 Horas | Disque 180

  • Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil

Ministério Público

  • O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição
  • Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site

Defensoria Pública | Disque 0800-644-5556

  • A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a)

Disque 100 | Direitos Humanos

  • Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos

Fique por dentro do que é notícia no RS, no Brasil e no mundo: baixe o app de GZH e acompanhe a Rádio Gaúcha de graça no seu celular

Últimas Notícias