Em Camboriú
Pastora viraliza ao pedir que mulheres vítimas de violência doméstica denunciem maridos agressores
Pregação de Helena Raquel já conta com mais de 14,8 milhões de visualizações nas redes sociais

A pregação da pastora Helena Raquel, em que orienta mulheres evangélicas vítimas de violência doméstica a denunciarem os seus agressores, ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias. Ela tem 1,7 milhão de seguidores nas redes sociais e o vídeo já soma 14,8 milhões de visualizações.
Ao compartilhar o trecho da pregação, a pastora afirmou que "não existe unção que justifique abuso". As declarações foram feitas no último sábado (2), durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões, em Camboriú (SC).
— Para de orar por ele (marido agressor) hoje. Deus me trouxe aqui para usar os minutos que todos os pregadores no Brasil gostariam de usar para salvar a sua vida da morte. Para de orar por ele hoje e comece a orar por você — afirmou a pastora, em discurso aplaudido pelos fiéis.
A líder religiosa disse que, por ter crescido em um lar cristão, entende que, em muitas igrejas, mulheres são orientadas a não expor episódios de violência para preservar os agressores e evitar escândalos. Ela também indicou canais confiáveis para denúncia, como a Central de Atendimento à Mulher, do Ministério das Mulheres, e o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, voltado ao registro de violações (saiba mais abaixo).
— A partir de agora, você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra. Você precisa, com urgência, ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. Por último: não acredite no pedido de desculpas porque quem agride, mata. Saia daí — completou Helena Raquel.
O post recebeu milhares de comentários de apoio nas redes sociais. "Você salvou a vida de muitas mulheres com essa pregação", escreveu uma internauta. "Religiões sempre salvaram vidas; esse é o papel de uma pastora ou de qualquer liderança religiosa", comentou outra.
Quem é a pastora Helena Raquel
Helena Raquel atua como pastora evangélica há mais de três décadas. Ela é líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV) no Rio, casada com o pastor Eleomar Dionel e mãe de uma menina.
Além de cumprir com as suas obrigações religiosas, Helena é autora de 13 livros, professora e mentora de mulheres. Ela também é idealizadora do projeto Pastoras do Brasil, que apoia e impulsiona a liderança feminina. Algumas de suas obras incluem Libertando a Alma, a coletânea Crescendo com as Mulheres da Bíblia e Eleitas: a legitimidade e o valor do ministério feminino.
Em entrevista ao g1, a pastora disse que o tema da pregação que viralizou não surgiu a partir de um caso específico, mas de um direcionamento espiritual.
— Foi um direcionamento de Deus ao meu coração através da oração. Estou certa de que a proteção à criança e à mulher é um tema de grande importância cristã e precisa ser abordado, ensinado e defendido — afirmou.
Helena Raquel também relatou que já teve contato com casos de violência, o que a marcou profundamente. Segundo ela, um homem se infiltrou em uma igreja, aproximou-se do ministério infantil e sequestrou e assassinou uma criança.
— Aquilo me chocou profundamente. Entendi que, mesmo em ambientes cheios de amor e paz, o mal pode se infiltrar. Nossos critérios precisam ser mais rígidos e o senso de proteção, redobrado — disse.
A pastora ainda deixou um recado direto para vítimas de abuso em ambientes religiosos:
— Independentemente da religião, ninguém deve se calar diante da violência. Denuncie, busque um ambiente seguro. E não se sinta rejeitado por Deus, muito pelo contrário, mantenha-se nos braços dele.
Como pedir ajuda em caso de violência contra mulher
Brigada Militar | 190
- Se a violência estiver acontecendo, a vítima ou qualquer outra pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento é 24 horas em todo o Estado
Polícia Civil
- Se a violência já aconteceu, a vítima deverá ir, preferencialmente, à Delegacia da Mulher, onde houver, ou a qualquer Delegacia de Polícia para fazer o boletim de ocorrência e solicitar as medidas protetivas
- Em Porto Alegre, há duas Delegacias da Mulher. Uma fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Os telefones são (51) 3288-2173 ou 3288-2327 ou 3288-2172 ou 197 (emergências)
- A outra fica entre as zonas Leste e Norte, na Rua Tenente Ary Tarrago, 685, no Morro Santana. A repartição conta com uma equipe de sete policiais e funciona de segunda a sexta, das 8h30min ao meio-dia e das 13h30min às 18h
- As ocorrências também podem ser registradas em outras delegacias. Há DPs especializadas no Estado. Confira a lista neste link
Delegacia Online
- É possível registrar o fato pela Delegacia Online, sem ter que ir até a delegacia, o que também facilita a solicitação de medidas protetivas de urgência
Central de Atendimento à Mulher 24 Horas | Disque 180
- Recebe denúncias ou relatos de violência contra a mulher, reclamações sobre os serviços de rede, orienta sobre direitos e acerca dos locais onde a vítima pode receber atendimento. A denúncia será investigada e a vítima receberá atendimento necessário, inclusive medidas protetivas, se for o caso. A denúncia pode ser anônima. A Central funciona diariamente, 24 horas, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil
Ministério Público
- O Ministério Público do Rio Grande do Sul atende em qualquer uma de suas Promotorias de Justiça pelo Interior, com telefones que podem ser encontrados no site da instituição
- Neste espaço é possível acessar o atendimento virtual, fazer denúncias e outros tantos procedimentos de atendimento à vítima. Acesse o site
Defensoria Pública | Disque 0800-644-5556
- A vítima pode procurar a Defensoria Pública, na sua cidade ou, se for o caso, consultar advogado(a)
Disque 100 | Direitos Humanos
- Serviço gratuito e confidencial do Governo Federal, disponível 24 horas por dia, para proteção e denúncias de violações de direitos humanos
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