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Região Metropolitana

Professores de Canoas decidem manter greve e prefeitura diz estar no limite da capacidade financeira

Decisão de continuidade da mobilização foi tomada em assembleia realizada nesta segunda-feira (4)

05/05/2026 - 14h52min


Kathlyn Moreira
Kathlyn Moreira
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Kathlyn Moreira/Agencia RBS
Aviso na Emef Barão de Mauá registrado no primeiro dia da greve, em 22 de abril.

A greve dos professores da rede municipal de Canoas, na Região Metropolitana, foi mantida nesta segunda-feira (4) após rejeição de nova proposta apresentada pelo município. Em assembleia, o Sindicato dos Profissionais em Educação Municipal de Canoas (Sinprocan) votou por seguir com a mobilização.

De acordo com o Sinprocan, a paralisação impacta cerca de 30 mil alunos, com escolas fechadas e outras atendendo parcialmente, conforme a disponibilidade dos docentes.

Em nota, a prefeitura de Canoas disse "receber com preocupação" a decisão dos profissionais da educação. A gestão alega que "chegou ao limite possível dentro da capacidade financeira".

Entre as reivindicações da categoria, estão reposição salarial, cumprimento do piso nacional do magistério e revisão dos planos de carreira. Já a prefeitura cita que a Câmara Municipal de Canoas aprovou projetos que garantem o pagamento do piso nacional do magistério no próximo salário e a reposição salarial dos servidores da educação em seis parcelas.

O que dizem os professores e a prefeitura

Ainda não há data para nova tentativa de conciliação entre o sindicato e a prefeitura.

A categoria pede que o Executivo atenda aos pedidos de valorização e o enquadramento de profissionais na Lei 15.326/2026, que reconhece profissionais da educação infantil (agentes de apoio, atendentes de creche e técnicos em educação) como professores. De acordo com o Sinprocan, a medida garante a esses trabalhadores aposentadoria especial e direito a receber o piso nacional do magistério.

Em contraponto, a atual gestão diz que avançou em pontos importantes para a valorização dos profissionais, como a concessão de vale-alimentação,  realização de concurso público, contratação de 500 monitores de inclusão, retomada das eleições para diretores, correção de descontos de aposentados e manutenção do auxílio-transporte, mesmo após a implantação do passe-livre na cidade. 

Mudança de rotina

Em meio ao impasse entre professores, que estão em greve desde 22 de abril, e a prefeitura, pais de alunos buscam alternativas para cuidar das crianças no horário em que estariam na escola.

No bairro Nossa Senhora das Graças, o vendedor de móveis Joelson dos Santos, 40 anos, conta que está levando os filhos, de nove e 13 anos, para ficarem junto no negócio familiar em momentos diferentes, porque a Emef Jacob Longoni está com atividades parciais

— Manda para o colégio, traz para a loja, não tem horário. A minha filha, a professora não aderiu; o meu filho, três aderiram. A gente está sofrendo bastante, mas sabe que os professores estão reivindicando seus direitos — diz o pai.

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