Proteção
Quais são os cuidados necessários com animais de estimação na hora da dedetização? Entenda
Descuidos ao tentar se livrar de insetos podem trazer riscos a cães e gatos. Especialista explica medidas de segurança


O inverno está chegando. Para muitos, a estação do ano é a ideal para realizar processos de dedetização em casas e condomínios, já que o metabolismo de pragas é mais lento no frio, o que facilita sua eliminação. Porém, o processo exige cuidado extra para quem convive com animais de estimação.
A médica veterinária Mariana Pires, que é professora de clínica de pequenos animais na UniRitter, explica que, entre os vários produtos que realizam o processo de dedetização, muitos atuam em receptores de insetos que podem funcionar de forma semelhante em vertebrados como cães e gatos.
De acordo com Mariana, os produtos atuam ora paralisando, ora excitando o sistema nervoso central dos animais. E estímulos excessivos a esse sistema podem causar, por exemplo, convulsões, paralisias e tremores.
Atenção
Mariana lembra que contaminações podem ocorrer, muitas vezes, pela forma como os animais domésticos se relacionam com o ambiente. Ela explica que é preciso ir além da limpeza de potes de água e comida.
— O ideal é que ninguém da casa tenha contato com nenhum objeto que não tenha sido higienizado. É importante higienizar pote de água, pote de comida, assim como eu vou higienizar os meus copos, por exemplo, após o processo de dedetização. E é preciso pensar que eu não vou me deitar e rolar no chão, mas o meu cachorro vai. O gato é um animal que tem uma questão importante com a lambedura, que é o processo de higienização característico dele. Ele se lambe de forma intensa. Se há muito resíduo no chão, o gato se deita e depois se lambe, um produto que só teria contato com a pele está sendo ingerido — diz a veterinária.
Por isso, saber de antemão as características dos produtos aplicados é fundamental. Mariana diz que empresas de dedetização precisam fornecer um certificado informando o produto que está sendo aplicado e o tempo que o produto fica ativo no ambiente – chamado de poder residual. Durante esse período, é necessário respeitar as orientações de distância do ambiente dedetizado.
— É importante que o produto seja voltado à utilização domiciliar, e as pessoas precisam saber que o risco de uma eventual intoxicação existe. Assim como uma pessoa que tem uma planta que pode ser tóxica em casa, e precisa deixá-la afastada do animal.
O que fazer em caso de contaminação?
Quando o animal apresenta sintomas de intoxicação (veja quais são abaixo), a veterinária Mariana explica que a conduta correta é procurar uma emergência veterinária. Para ela, é importante que os tutores fujam das “formulações caseiras”, que podem piorar a situação.
— Existem mitos, mitos mesmo, porque são todos falsos. Não é para induzir vômito. Não adianta dar leite. Não adianta usar outro medicamento para tentar cortar o efeito. Não lavar com outro produto a pele que já está machucada. Todas essas condutas inadequadas podem eventualmente piorar o caso — explica Mariana.
Ela reforça que é importante informar ao médico veterinário qual foi o produto – levando a bula, a marca ou nome do princípio ativo –, quanto tempo desde que o animal entrou em contato com ele, e por qual via o tóxico foi absorvido – oral ou cutânea, por exemplo. Dessa forma, o profissional pode seguir protocolos específicos, além de entrar em contato com o Centro de Informações Toxicológicas (CIT), que presta auxílios nessas situações.
Tratamento
Com essas informações, Mariana relata que, na maioria das vezes, o tratamento é sintomático — tratam-se os sinais da doença em vez de suas causas.
— É a pior coisa que a gente pode falar para um responsável. Para a maioria dos inseticidas, salvo um ou outro em que pode haver algum antídoto, o tratamento é sintomático. A gente precisa eventualmente internar o animal e esperar que aquele produto seja excretado do corpo. E isso pode demorar um pouco.
Sintomas de intoxicação
Em caso de intoxicação, Mariana alerta que os animais podem apresentar quatro categorias de sinais:
/// Gastrointestinais: vômito, salivação e dificuldade de ingestão de alimentos
/// Respiratórios: tosse e secreção
/// Neurológicos: tremor, convulsão, ficar deitado de lado
/// Cutâneos: coceira (caracterizada por animais que se lambem e que tentam se morder), vermelhidão e queimadura
Outros produtos que podem ser tóxicos
Mariana lembra que outros produtos que são utilizados no dia a dia também podem ser tóxicos aos pets e, por isso, todo cuidado é pouco.
/// Água sanitária (produtos cáusticos) – o próprio vapor liberado pelo líquido pode ser nocivo.
/// Desinfetantes, detergentes e desengordurantes jamais devem ser aplicados diretamente em animais.
/// Produtos com hipoclorito e cloro
/// Misturas de produtos de limpeza também podem ser tóxicas. É importante buscar informações antes de realizá-las.
*Com orientação e supervisão de Émerson Santos