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Saneamento básico

Saiba como fazer a ligação da rede doméstica à rede de esgoto e o que é necessário para a obra

Enquanto a Corsan Aegea detalha aporte de R$ 1 bilhão no ano passado, Piratini articula parcerias com a iniciativa privada para universalizar o serviço em 176 cidades

08/05/2026 - 11h07min


Mathias Boni
Mathias Boni
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André Ávila/Agencia RBS
Augusto Nogueira dos Santos fez sozinho a ligação da rede de sua casa à rede pública.

O novo marco legal do saneamento, aprovado em 2020, impõe metas significativas aos gestores públicos: atender ao menos 99% da população com água potável e 90% com tratamento de esgoto até o final de 2033. Para efetivar esse objetivo, principalmente em relação ao tratamento de esgoto, é fundamental que as redes domésticas sejam conectadas à rede pública.

Atualmente, a Corsan Aegea atende 317 municípios gaúchos. Desde a privatização em 2022, o índice de tratamento de esgoto nessas áreas saltou de 20% para 29%, alcançando 284 mil novos imóveis. No entanto, a expansão esbarra na falta de conexão das residências à rede já disponível.

 Já na maioria dos municípios restantes, o tratamento dos efluentes fica diretamente a cargo das prefeituras.

Nesse ponto, há um aspecto fundamental, destacado pela própria Corsan. Em muitos municípios, a empresa já estruturou a rede pública, mas cabe aos consumidores fazer uma ligação na sua casa para conectar a rede doméstica à rede comum.

— Nós temos mais de 120 mil imóveis no Rio Grande do Sul que mesmo tendo feito investimento, passada a rede na frente desses imóveis, essas pessoas ainda não fizeram a conexão à rede de esgoto — destaca o diretor de Operações da Corsan, José João Jesus da Fonseca.

Investimentos e metas para 2026

Somente em 2025, a companhia destinou cerca de R$ 1 bilhão para a expansão do esgotamento sanitário. O investimento gerou a implantação de 545,6 quilômetros de redes e 41.962 novas ligações de esgotamento sanitário. Para 2026, o planejamento é:

  • Redes: implantação de 1,7 mil quilômetros.
  • Conexões: mais de 155 mil novas ligações.

A projeção é que as obras aumentem o alcance do saneamento e seus benefícios socioambientais para mais 955 mil gaúchos, retirando do meio ambiente mais de 1,5 bilhão de litros de esgoto não tratado por mês.

Como conectar sua casa à rede de esgoto

A conexão é dividida em duas partes: a rede pública (feita pela concessionária) e a instalação intradomiciliar (responsabilidade do morador).

— Nos bairros onde a gente vai fazendo as obras das redes, nós também vamos instruindo a população a como fazer a ligação de suas redes residenciais. Quando a rede pública fica pronta, nós avisamos os consumidores que já estão aptos a fazer a sua instalação intradomiciliar e assim conectar a sua rede à nossa. Com o descarte correto dos resíduos, os moradores passam a ter ganhos de saúde, e o meio ambiente também fica mais protegido, sem descartes inadequados  — explica José João Jesus da Fonseca.

A Corsan oferece orientações a quem estiver em dúvida de como realizar a tarefa.

O que você precisa instalar:

  • Caixa de gordura.
  • Caixas de passagem.
  • Tubulações de conexão até a calçada.

Passo a passo:

  • Aviso: aguarde o comunicado da concessionária informando que a rede na sua rua está ativa.
  • Ligação: conecte a saída de esgoto da casa (eliminando fossas e filtros antigos) à caixa de calçada da Corsan.
  • Custos: o morador pode contratar um profissional ou fazer por conta própria. 

O cabeleireiro Augusto Nogueira dos Santos, morador de Estância Velha, no Vale do Sinos, fez sozinho a ligação da sua rede doméstica à rede pública de esgoto.

— Fiz o serviço aos poucos, primeiro o buraco, depois as instalações, e ao todo demorou umas cinco horas. Com os tubos de PVC, gastei mais ou menos R$ 120, até fazer a conexão toda. Já tinha experiência nesse tipo de serviço, então pra mim a instalação foi simples até — relata.

Municípios não atendidos pela Corsan

Segundo dados do governo do Estado, 47% dos municípios não atendidos pela Corsan já têm redes de esgoto públicas. O Piratini, contudo, não têm os dados referentes à adesão dos domicílios à rede nessas cidades.

Para acelerar o avanço do saneamento nestes municípios, o governador Eduardo Leite apresentou, em 30 de março, o Projeto RS Saneamento. Em elaboração pela Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg), a proposta prevê repassar à iniciativa privada atividades relacionadas à implantação, expansão, operação e manutenção dos sistemas de água e de coleta e tratamento de esgoto nos 176 municípios que não são atendidos pela Corsan.

Conforme destacado pelo Piratini, a iniciativa visa à concessão dos serviços de água e esgotamento sanitário em municípios que realizam a gestão desses serviços diretamente, seja por meio de órgãos públicos, autarquias ou associações privadas.

— Para cumprir com o Marco do Saneamento, precisamos de grandes investimentos, e por isso estamos trabalhando na preparação desse projeto de concessão, ao mesmo tempo em que damos sequência ao diálogo com os municípios não atendidos pela Corsan — afirmou o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi.

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