Remédio para gripe
Tamiflu: como funciona, quem deve tomar e quando iniciar o tratamento contra influenza
Na quinta-feira (28), RS entrou na categoria de alto risco por aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)


O Rio Grande do Sul entrou, nesta quinta-feira (28), na categoria de alto risco por aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Entre os vírus causadores dessa complicação, o de influenza A, da gripe, segue com maior circulação no território gaúcho, gerando casos graves e hospitalizações.
Segundo o Ministério da Saúde, os tipos A e B do influenza são os responsáveis por epidemias sazonais, sendo que o A pode causar grandes pandemias.
O tratamento da doença costuma ser feito com uso do antiviral fosfato de oseltamivir — conhecido comercialmente como Tamiflu. Mas o remédio não deve ser usado em todos os casos.
Como funciona o medicamento?
Luciano Goldani, médico infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que o fosfato de oseltamivir atua em uma enzima do vírus, impedindo que se multiplique.
A medicação deve ser indicada por um médico e exige apresentação de receita.
A médica da família e infectologista Cristiane Pimentel Hernandes, integrante da Sociedade Gaúcha de Infectologia, esclarece sobre a indicação:
— Usamos esse tratamento, primeiro, para tentar aliviar um pouco dos sintomas, para reduzir a transmissão e, principalmente, para evitar complicações. A mais grave seria a insuficiência respiratória.
Quando iniciar o tratamento com o remédio?

De modo geral, o maior benefício ao usar Tamiflu ocorre nas primeiras 48 horas após início dos sintomas de influenza.
Em casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), é possível começar a administração do medicamento mesmo depois deste prazo, ainda que não se saiba qual vírus está causando os sintomas.
A SRAG é uma complicação respiratória, que pode deixar o paciente com falta de ar, queda de saturação e até mesmo com quadros de vômito, impedindo alimentação e hidratação.
O uso do antiviral também é recomendado em grupos de risco que apresentam sintomas gripais, como idosos, crianças e pessoas com diabetes, doenças cardíacas, renais ou reumáticas, ou ainda que façam uso de medicações imunossupressoras para câncer.
— É uma medicação que tem pouquíssimos paraefeitos (efeitos colaterais). Então, ao invés de correr o risco de que se evolua para uma doença grave, se usa o medicamento nessas situações — ressalta o infectologista Luciano.
— Em pessoas jovens, saudáveis, mesmo com o influenza confirmado, o benefício é muito pequeno do medicamento. Por outro lado, pessoas que têm Síndrome Respiratória Aguda Grave, gestantes, crianças pequenas, principalmente menores de dois anos, idosos, pessoas com doenças imunossupressoras, que causam diminuição da imunidade, e com comorbidades são as que realmente precisam receber o oseltamivir — alerta Cristiane.
O tratamento dura cinco dias, com administração a cada 12 horas. A dose para crianças é calculada por peso.
Quem não pode tomar o remédio?
O medicamento não tem grandes restrições. Os médicos consultados por Zero Hora citam apenas o desconforto gastrointestinal como efeito colateral mais frequente.
O infectologista Luciano ressalta, porém, que alguns grupos exigem que o médico avalie a situação de forma mais minuciosa antes de considerar o uso, embora não exista contraindicação. É o caso de crianças abaixo de um ano e pessoas sem função renal ou com rins funcionando com baixa capacidade.
Cristiane, por sua vez, lembra da importância do uso racional do medicamento:
— Ou seja, utilizar naquelas pessoas que realmente vão ter benefício com a medicação. Se for uma pessoa jovem, que não tem nenhuma doença, nenhuma comorbidade, não for gestante e tiver com um quadro viral leve ou moderado, mas não estiver com disfunção respiratória, não há indicação de usar o oseltamivir, principalmente se já estiver depois de 48 horas do início dos sintomas — diz a infectologista.
Qual é a principal forma de agir contra o vírus?
Em Porto Alegre, o Hospital de Clínicas está entre as instituições de saúde com maior número de pacientes internados por motivos respiratórios: dos 333 na cidade, 67 estão na unidade. Os dados constam em painel da Secretaria Municipal de Saúde atualizado nesta quinta-feira (28). Médico no local, Luciano reforça a necessidade das vacinas:
— É muito mais importante tu prevenir do que tratar. O Tamiflu é usado para tratamento e não para prevenção. Então, muito mais importante do que ele é a adesão à vacinação.
A recomendação é válida para diferentes vírus causadores de SRAG, como influenza, coronavírus e vírus sincicial respiratório.