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Entrevista na Gaúcha

"A gente não obrigava ela a conversar": vítima de mulher de 37 anos que se passava por adolescente relata como foi conviver com a  golpista

Viviane Henriques acolheu Amanda Maria Souza de Oliveira por cerca de dois meses no Rio de Janeiro

06/06/2026 - 18h52min


Zero Hora
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A mulher de 37 anos que foi presa nesta semana em Santa Catarina após confessar ter fingido ser uma adolescente de 12 anos fez vítimas em, pelo menos, sete estados. Viviane Henriques, do Rio de Janeiro, é uma delas. 

Em entrevista à Rádio Gaúcha neste sábado (6), Viviane, que é presidente do instituto Mães que Abençoam com Amor, contou que Amanda Maria Souza de Oliveira se aproximou dela por meio de uma mensagem nas redes sociais, alegando ser vítima de abuso e que era forçada pelo pai a se prostituir. A golpista também dizia ter fugido do Ceará para o Rio de Janeiro.  

Viviane relata que acolheu a mulher por cerca de dois meses em uma casa alugada especialmente para isso, e que revezou os cuidados com uma amiga chamada Renata. 

Segundo ela, Amanda não olhava nos olhos, conversava pouco e passava a maior parte do tempo deitada, além de ter uma baixa estatura e alegar que o pai a forçava a tomar hormônios, o que fez com que acreditassem que a mulher de fato teria 12 anos.

— De início, a gente acreditava porque nós pensamos, poxa, uma menina que sofreu isso tudo, né, supostamente, sofreu todo esse abuso. A gente não obrigava ela a conversar — explicou. 

Viviane contou ainda que a mulher estava sempre utilizando casaco e capuz, além de agir de forma diferente com ela e com Renata, o que fez com que ela desconfiasse.

—  Ela só tinha supostas crises de autismo com a Renata, comigo ela não tinha. Eu falei: tem alguma coisa errada —  Viviane contou ainda sobre a ocasião em que tirou a prova da atuação da mulher.

—  Eu peguei na frente da Renata e mandei uma mensagem para ela, que estava com o celular. Falei: Duda, como que você está? Daqui a pouco eu vou aí. E ela respondeu "Tia, tá tudo bem". Esperei e falei para a Renata mandar mensagem pra ela. No mesmo momento ela respondeu: "Tia, eu tô apavorada, tia, eu fui no banheiro, eu caí, bati a cabeça, tia, tá doendo muito, vem pra cá agora". Só que até então, a gente não conseguia enxergar a dimensão do problema — relata.

Outro ponto que preocupou as amigas foi a presença de agulhas espalhadas pelo corpo da mulher. De acordo com Viviane, Amanda já foi acolhida com o material no corpo. 

Elas perceberam quando a mulher estava sentada e as agulhas começaram a sair da pele. Segundo Viviane, até um grampo usado em madeira estava no corpo dela. 

Após Amanda se recusar a receber atendimento médico alegando medo de o pai ser contatado, Viviane a levou para fazer uma radiografia, que apontou as 200 agulhas. A golpista disse que os materiais faziam parte de um ritual que o pai a forçava a participar. 

Viviane começou a perceber as inconsistências no comportamento de Amanda, e procurou a ajuda de uma delegada da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que investigou o caso.  

—  A delegada investigou em 24 horas. O esposo dela, que é inspetor, sentou comigo e disse: "Olha, isso é um golpe". E me mostrou alguns registros de outros estados — conta.

Viviane afirmou ainda que chegou a entrar em contato com um irmão de Amanda, mas que ele não demonstrou interesse em ter contato com ela.

Entenda o caso

Amanda Maria Souza de Oliveira foi presa em flagrante na terça-feira (3) após passar 14 meses fingindo ser uma adolescente de 12 anos para uma família em Joinville, Santa Catarina. A polícia chegou até ela após a denuncia de uma parente levantar a descoberta do crime.

Investigada por estelionato e falsa identidade pela Polícia Civil, Amanda Maria Souza de Oliveira já possuía histórico nessa modalidade de golpes, tendo registros em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.



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