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Decorações

A tradição que transforma casas em estádio em dia de jogo do Brasil na Copa

Comércio aquece vendas antes do segundo jogo da Seleção nos EUA

19/06/2026 - 10h59min


Zero Hora
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Uma tradição das famílias brasileiras em época de Copa do Mundo é decorar ambientes com adereços verde-amarelos, símbolos e imagens que remetem ao Brasil e à Seleção Brasileira

Apesar de parecerem apenas enfeites e decorações, os acessórios carregam um significado que vai além da aparência. Para muitas famílias, esta é uma maneira de fazer parte do Mundial — eternizando a participação em encontros que são repassados de geração em geração.

Para quem anda nas ruas de Porto Alegre em época de Copa, é inevitável deparar com enfeites que fazem alusão às cores da Seleção Brasileira. Os mais tradicionais dos adornos são balões, bandeiras do Brasil e cornetas, símbolos do estereótipo do torcedor caseiro em Mundiais.

A Seleção Brasileira entra em campo nesta sexta-feira (19), contra o Haiti, pela segunda rodada do Grupo C. E com a proximidade dos jogos, a correria na busca pelos adereços se intensifica. 

Torcer na Copa não significa estar presente nos jogos que ocorrem no Canadá, Estados Unidos ou México. A experiência de consumir o Mundial não se limita às fronteiras dos países-sede.

Rudá Neis/Zero Hora
Adereços são comercializados em lojas de Porto Alegre nas vésperas do jogo do Brasil contra o Haiti.

Pelo contrário. As famílias possuem um sentimento de pertencimento com a Seleção Brasileira, transformando sofás e poltronas em arquibancadas. O campo de jogo vira a televisão colocada em um espaço em que todos possam se acomodar e assistir ao confronto. As bandeiras dos estádios diminuem consideravelmente de tamanho para que as crianças possam abaná-las no seu quintal. 


Rudá Neis/Zero Hora
Adereços das cores do Brasil para acompanhar a Copa do Mundo.

E o grito de incentivo, mesmo que os jogadores não possam ouvir, sai de maneira espontânea e com a mesma intensidade de quem estará na Filadélfia.

— Arrumar a casa com decoração faz eu me sentir muito mais presente na Copa. É algo muito especial, porque é uma data única e um momento único na vida. É o momento de reunir os amigos para estar junto. As pessoas se sentem acolhidas, gostam desse carinho, é muito bonito poder arrumar casa e receber as pessoas — declara a fisioterapeuta Angélica Andrade, 35 anos, que estava comprando adereços caracterizados com a sua filha Maria Valentina, 12 anos, para assistir ao jogo entre Brasil e Haiti.

Angélica comenta que a união para assistir aos jogos da Seleção é algo recorrente entre a sua família, e que a empolgação com os jogos é alta.

— Em todos os jogos a gente se reúne. Cada um faz um prato diferente, a gente organiza toda a casa, todo mundo junto nessas datas tão especiais que toda a família fica mobilizada e feliz — diz a fisioterapeuta.

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Fisioterapeuta Angélica Andrade e sua filha Maria Valentina comorando adereços para assistir a Copa do Mundo

Motivados pelos filhos

É muito comum em períodos de Copa que os país se mobilizem para agradar seus filhos e comprar enfeites para assistir às partidas. Este é o caso de Rodrigo Valency, 54, administrador de empresas.

Quando foi convidado pela reportagem para dar entrevista, Rodrigo estava com pressa e carregava uma sacola contendo duas trombetas com as cores verde e amarelo.

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Administrador de empresas de 54 anos Rodrigo Valency comprando buzinas para sua filha.

Além de administrar empresas, ele ficou encarregado de organizar a residência para a família acompanhar a Copa do Mundo. Pai de dois filhos, Rodrigo afirma que os jogos são motivadores para a união de todos, e o reflexo disso foi deixar a casa decorada para satisfazer a filha de dois anos de idade no seu primeiro Mundial.

— A casa está completamente enfeitada. Vim aqui comprar umas cornetinhas para a minha filha. A Copa do Mundo acaba integrando a família, então a gente procura estar sempre junto para torcer e curtir — conta Rodrigo que completa:

— Os preparativos para a Copa são grandes e a casa reflete a emoção em assistir.

Arrumar a casa com decoração faz eu me sentir muito mais presente na Copa

FISIOTERAPEUTA DE 35 ANOS ANGÉLICA ANDRADE

Disse ela enquanto comprava assessórios para assistir o jogo do Brasil

A lógica de deixar o filho ambientado nos jogos do Brasil é uma questão também seguida pela advogada de 47 anos Tamara Lemos Moreira. A mãe do Gabriel está depositando esforços na ambientação da sua casa, visando aumentar a motivação do garoto de sete anos de idade.

— Nesta sexta-feira vai ter o jogo do Brasil, e não tem adereços em casa. Estou atrás de uma bandeira para colocar para o Gabriel ficar mais entusiasmado na hora do jogo. Como a nossa família é pequena, estamos fazendo uma decoração mais chamativa para ele ficar empolgado. — justifica Tamara.

A advogada compartilha a opinião de que os adereços fazem parte da torcida pela equipe brasileira:

— A bandeira, um chapéu, uma tiara, com certeza fazem a diferença no momento da torcida pelo Brasil.

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Objetos comercializados em lojas de Porto Alegre.

Comércio tem motivo para festejar

Os comerciantes de bazares e lojas que comercializam os adereços saem ganhando nesta época do ano. Com a proximidade dos jogos da Seleção Brasileira, a demanda dos enfeites aumenta, causando queima no estoque dos lojistas. 

— Mais perto do jogo o movimento aumenta na procura de camisetas e decorações. Muita gente deixa para comprar as decorações no dia do jogo —  explica Gabriela Coelho, 35 anos, gerente de um bazar no bairro Azenha, em Porto Alegre. 

Carla Anzolin, gestora de uma loja de objetos para festas também no Azenha, explica que as vendas aumentaram de maneira surpreendente, superando as expectativas que o estabelecimento havia projetado antes da Copa do Mundo.

A compra de produtos do Brasil foi um sucesso. A gente tinha chapéu, tiara, apliques, bandeirinha dos países, balão personalizado, e zerou tudo — conta a administradora do local.

Em comparação com outros anos de Copa do Mundo, Carla enfatiza que a procura nos adereços foi significativamente superior ao Mundial disputado no Catar, em 2022, por exemplo.

— Esse ano tá diferente. Esse ano o pessoal tá bem otimista e procurando mais os produtos para enfeitar os bares, as escolas e as casas — percebe.

O sentimento presente

Os relatos trazidos não traduzem apenas a realidade dessas três famílias. Outras pessoas ao redor de todo o país estão na reta final dos preparativos para acompanhar o segundo duelo da equipe do técnico Carlo Ancelotti na Copa do Mundo de 2026.

A capacidade do Estádio da Filadélfia, palco da partida, é superior a 67 mil torcedores e a tendencia é que os brasileiros tomem conta da maior parte dos espaços destinados para o jogo.

No entanto, os milhares de lares espalhados pelas cidades brasileiras irão vibrar em sintonia com a Filadélfia em cada ação do jogo. Podem não ter arquibancada e nem assentos como os do Mundial, mas os adereços e a união serão os alicerces necessários para ajudar na vitória da Seleção Brasileira.

Produção: Rudá Neis

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