Serratia spp
Atendimento em centro obstétrico do Hospital de Clínicas segue suspenso; entenda como é a bactéria que infectou pacientes
Suspensão na UTI neonatal do hospital em Porto Alegre deve seguir até quinta-feira (2) para controlar a situação. Desde sexta-feira (26), oito pacientes testaram positivo

Devem seguir suspensos até quinta-feira (2), pelo menos, os atendimentos no centro obstétrico e na unidade de terapia intensiva (UTI) neonatal do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. A reabertura depende do andamento da higienização.
A suspensão se deu por conta de uma bactéria identificada no local. Segundo o hospital, ao menos oito pacientes foram infectados com a bactéria Serratia spp desde sexta-feira (26).
O caso mais recente foi confirmado na manhã desta segunda-feira (29), que era a data prevista inicialmente para a reabertura da ala. Foram registradas duas mortes na UTI neonatal nas últimas 48h. Conforme o hospital, está sendo investigada a possível relação dos óbitos com a infecção pela bactéria.

Os dois casos eram de bebês prematuros extremos, nascidos com 23 e 27 semanas de gestação, que estavam em estado crítico antes da detecção da bactéria, segundo comunicado divulgado pelo hospital. Os pacientes que testaram positivo permanecem graves mas com quadro estável, em isolamento.
Os atendimentos foram suspensos para controle da disseminação da bactéria, com objetivo de higienizar os espaços e reforçar medidas para garantir a segurança dos pacientes. Em articulação com a rede, a instituição busca transferir as gestantes atualmente internadas e reforça para que parturientes procurem outras unidades de saúde.
O que é a Serratia spp
O gênero Serratia spp faz parte da família das enterobactérias (Enterobacteriaceae) – aquelas frequentemente encontradas no trato gastrointestinal de humanos e outros animais, bem como no solo e em ambientes úmidos. A espécie mais comum é a Serratia marcescens.
Segundo o médico infectologista Eduardo Sprinz, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, normalmente, esses microrganismos não causam problemas para seres humanos, exceto em indivíduos mais vulneráveis, como bebês.
— Os riscos são proporcionais à gravidade dos pacientes. Quanto mais graves e com maior comprometimento imunológico, pior será o prognóstico. Por isso, se diz que essa bactéria pode apresentar um comportamento oportunista — explica Sprinz, também professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Os riscos são proporcionais à gravidade dos pacientes. Quanto mais graves e com maior comprometimento imunológico, pior será o prognóstico. Por isso, se diz que essa bactéria pode apresentar um comportamento oportunista
EDUARDO SPRINZ
Infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Quando encontram condições favoráveis, como pacientes com o sistema imunológico comprometido, esses germes causam prejuízos. Em ambientes hospitalares, a bactéria pode ser transmitida por contato indireto, principalmente quando há falhas nos protocolos de higiene.
— A transmissão pode ser através do contato, geralmente com higienização não adequada das mãos, e por aparelhos que eventualmente possam estar contaminados e são “inseridos” nos pacientes, como cateteres e sondas — destaca Sprinz.
Mãos de profissionais de saúde, equipamentos médicos, soluções contaminadas e superfícies podem servir como veículos de disseminação. Por isso, medidas como higiene rigorosa das mãos, esterilização adequada de materiais e isolamento de pacientes, quando necessário, são estratégias importantes para evitar surtos.
A bactéria é multirresistente?
Um dos principais desafios relacionados à Serratia spp é a capacidade de desenvolver resistência a diversos antibióticos, o que a torna potencialmente uma bactéria multirresistente.
— Geneticamente, ela possui resistência natural a alguns antibióticos e possui potencialmente mecanismos para adquirir novos genes que conferem resistência a outros antibióticos — explica o infectologista.
Por isso, muitas vezes, é necessária uma combinação de medicamentos para sobrepor a resistência da Serratia e combater eventuais surtos. Quando há contaminação em ambiente hospitalar é preciso realizar a identificação da bactéria, isolar os pacientes infectados, detectar a fonte de contaminação e desinfectar os espaços.