Estrelas da Periferia
De Caçapava do Sul, Modder Aka reflete sobre a cena trap e funk no interior do Estado
Jovem entrou no Top 50 Virais do Spotify com sua nova canção "ROCK"

Nilmar Dorneles sabia que era artista antes de se tornar artista. Neto de um gaiteiro de CTG e irmão do baterista de uma banda de rock, ele foi criado em um ambiente pautado pela sonoridade, o ritmo e a melodia do cotidiano desde seu nascimento. Apesar disso, foi no final de 2020, aos 13 anos de idade, que o artista entrou em contato pela primeira vez com aquele que se tornaria seu gênero pessoal.
Natural de Caçapava do Sul, no interior do Estado, Dorneles tinha o hábito de conversar com amigos virtuais pelo Discord, espalhados por todas as regiões do Brasil. Foi em meio a essas interações que ele descobriu o mundo do rap e do trap e ficou fascinado pelas possibilidades que a mixagem oferecia.
— Conheci outros amigos na pandemia que faziam trap, e aí vi que eu tinha com quem aprender. Eles me ensinaram a baixar o programa, me ensinaram a me gravar. E eu comecei ali mesmo, com o microfone e com o fone no meu quarto. Já não tinha mais a bateria, meu irmão foi morar longe, então era realmente eu por mim mesmo — conta.
Quatro anos mais tarde, em 2024, surgiu a chance de trabalhar com um DJ de sua cidade, no cargo de produtor. A partir disso, o artista identificou uma oportunidade de renovar seu próprio estilo musical. Antes acostumado com a produção exclusiva de trap e rap, percebeu no funk — gênero com maior apelo comercial no Brasil — a possibilidade de fazer um rebranding e começar a ganhar dinheiro com a música.
A partir desse momento, o artista começou a trabalhar nas próprias canções. Lançou seu primeiro single, assinou com uma gravadora de São Paulo e passou a se chamar Modder Aka., nome artístico que começou a utilizar em sua carreira.
Estilo e referências
A produção de Modder sempre foi intensamente fundamentada a partir do trabalho de seus colegas. Além de se inspirar em grandes nomes pelo Brasil, o artista também tem referências em outros produtores no interior do Rio Grande do Sul, como o próprio DJ Aimi, com quem já colaborou outras vezes.
Modder explica que, apesar de não serem tão frequentes as conversas entre artistas de diferentes regiões do Estado, esse contato se faz fundamental para impulsionar a cena gaúcha e influenciar que mais jovens adentrem no mundo da música.
_ A união dos DJs ocorre mais conforme a parte do Estado que eles moram. Então, em Porto Alegre, em Livramento e em Santa Maria tem essa união, só que eles meio que não se misturam entre si, pelo menos não tanto quanto poderia. Mas tem essa comunicação pelo Discord e pela internet no geral. A gente tem grupos, onde conversamos para fazer colaborações de músicas e coisas desse gênero. Existe mais colaboração do que união, eu diria. É como se fosse uma relação multifacetada.
Apesar disso, o artista ainda busca referências de outros nomes da composição espalhados pelo país, que não necessariamente tem um estilo exatamente igual ao seu. No trap, o artista destaca produtores como Sotam e Kweller e no funk, inspira-se especialmente no GP da ZL.
Foi em parceria com alguns desses artistas, tanto do Rio Grande do Sul quanto de outras regiões, que Modder conseguiu o feito inédito mais significativo e recente de sua carreira: alcançar o Top 50 Virais Brasil do Spotify. Inserida no álbum Unknown, projeto de Moura DJ que também conta com participações de DJ Aimi e MC VK da VS, a música ROCK já ultrapassa 1,4 milhão de streams na plataforma digital, e segue em crescimento dentro de outros serviços de streaming.
No âmbito da sonoridade, a faixa mistura funk com influências diretas do rock n' roll, trazendo guitarras marcantes e uma sonoridade mais pesada que seus trabalhos antigos. De acordo com Modder, o crescimento da canção se deu muito a partir do seu desenvolvimento dentro das redes sociais.
— A música foi postada, tipo, numa quinta, até a outra quinta não tinha dado mil streams. Daí, do nada, ela puf, bombou. Eu diria que foi muito por conta do TikTok e do Instagram, muita gente postando no story. Além disso, acho que essa faixa se destacou porque ela vem de outro ramo. Ela não se enquadra como funk tradicional. Ela é um funk submundo, é um funk mandela que atinge outra bolha, outras pessoas interessadas nesse estilo — constata Modder
Além dessa conquista, o artista também passou a integrar a playlist editorial Flow Romance, do Spotify, com a música Juro Não É Drama – Remix. A faixa é originalmente de DHION, em colaboração com os produtores Theuzz011 e JMB, contou com participação de Modder na nova versão. A entrada na playlist marca a primeira vez que ele aparece em uma curadoria editorial voltada ao trap romântico dentro da plataforma, seu principal estilo de composição.