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Contenção e remoção

De roupas a móveis, barreira retirou 1,5 mil toneladas de lixo do Arroio Dilúvio em 10 anos; veja como funciona

Estrutura atua como último filtro que busca evitar que material descartado incorretamente chegue ao Guaíba

23/06/2026 - 09h51min


Denzel Valiente
Denzel Valiente
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Um sistema aparentemente simples evitou que 1,5 mil toneladas de lixo tivessem como destino o Guaíba nos últimos 10 anos. O peso equivale a cerca de metade da capacidade de uma piscina olímpica. Entre os resíduos estão garrafas plásticas, latas, roupas e até móveis despejados no Arroio Dilúvio, desde a nascente, em Viamão, até a foz, em Porto Alegre.

A Ecobarreira Arroio Dilúvio é o mecanismo por trás desta quantidade de rejeitos retirada do córrego que corta a capital gaúcha. A estrutura fica na Avenida Ipiranga, na altura do Parque Marinha.

Como funciona a ecobarreira?

Denzel Valiente/Agencia RBS
Funcionamento se dá a partir de sistema de contenção física e remoção mecânica.

A iniciativa, que completou uma década em março deste ano, funciona como um último filtro que busca evitar que o lixo descartado incorretamente chegue ao principal corpo hídrico da Região Metropolitana e, mais adiante, à Lagoa dos Patos e ao Oceano Atlântico.

— Durante todo o caminho que a água faz (pelo Arroio Dilúvio), ela tem a contribuição da cidade em termos de resíduos e de esgoto irregular. Esse resíduo vai junto com a água até o Guaíba, poluindo o meio ambiente — explica Luiz Carlos Zancanella Junior, que está à frente do projeto desde a concepção.

A ecobarreira é totalmente financiada pela iniciativa privada. A prefeitura de Porto Alegre atuou cedendo espaço e licenças para a construção da estrutura às margens do arroio e fazendo a destinação dos rejeitos para o aterro sanitário.

As etapas do processo

O funcionamento da Ecobarreira Arroio Dilúvio ocorre a partir de um sistema de contenção física e remoção mecânica de resíduos flutuantes dividido em:

  • Barreira física: a estrutura utiliza módulos flutuantes de plástico (boias amarelas) instalados no curso do Arroio Dilúvio para conter o lixo que desce flutuando
  • Direcionamento: essas boias são posicionadas estrategicamente para que a própria correnteza do arroio direcione o lixo naturalmente até uma das margens
  • Captura em gaiola: na margem para onde o lixo é conduzido, existe uma espécie de gaiola onde os resíduos ficam retidos
  • Içamento: um operador garante que o lixo entre na gaiola, que é então içada até uma plataforma
  • Triagem e separação: no local, o lixo é colocado em sacos e é feita uma separação do que pode ser reciclado (como garrafas PET e outros plásticos) do lixo comum e orgânico
  • Destinação final: os resíduos recicláveis são recolhidos e tratados por uma empresa especializada. Já o lixo comum é colocado no passeio para ser recolhido pelos caminhões do DMLU, que o levam para a zona de transbordo na Lomba do Pinheiro

Como surgiu a ideia da ecobarreira

Denzel Valiente/Agencia RBS
Içamento traz à tona roupas, mochilas, garrafas e sacolas plásticas removidas do Arroio Dilúvio.

O projeto foi concebido pelo cientista da computação Luiz Carlos Zancanella Junior, responsável por gerir a ecobarreira. Já o financiamento é totalmente do Instituto Safeweb, braço focado em sustentabilidade do Grupo Safepar.

— A ideia da ecobarreira nasceu em 2015, quando eu estava vendo um feed no meu Facebook e vi um vídeo de uma barreira que tem lá nos Estados Unidos chamada Mr. Trash Wheel. Gostei da ideia, gostei do objetivo, gostei de várias coisas e pensei: “Por que não fazer isso em Porto Alegre?” — conta.

Zancanella não percebe que haja uma conscientização da população quanto ao despejo irregular de lixo no arroio, nem uma diminuição na quantidade que é captada pela rede de boias.

Responsabilidade legal

Denzel Valiente/Agencia RBS
Materiais coletados pela ecobarreira são divididos entre recicláveis e não recicláveis.

O projeto da ecobarreira no Arroio Dilúvio exemplifica ações que se conectam diretamente às diretrizes do Novo Marco Legal do Saneamento. Conforme a legislação, a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos são componentes fundamentais para a universalização do saneamento básico.

Entretanto, a prefeitura ainda caminha para cumprir as metas até o prazo final, em 2033. Em abril deste ano, o Executivo municipal assinou um contrato de regulação dos serviços de gerenciamento de resíduos sólidos urbanos com a Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs).

Com isso, prefeitura e Agergs passarão a atuar juntas na fiscalização dos serviços prestados pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). O principal objetivo é que o manejo de resíduos sólidos seja feito por meio de uma parceria público-privada (PPP)

Enquanto isso, iniciativas bancadas pelo setor privado buscam mitigar os danos causados pelo descarte incorreto de resíduos na natureza e pela poluição.

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