Bicharada
Especialista explica o que fazer após a morte de animais domésticos
Além de tristeza, partida de pets pode trazer dúvidas com relação ao destino correto para o corpo dos mascotes


O convívio com animais tem tomado espaço cada vez maior na rotina da população. Em Porto Alegre, um levantamento de 2024, realizado pela prefeitura, apontou que a cidade tem, entre cães e gatos, cerca de 815 mil pets. Por isso, cada vez mais, a morte dos bichinhos traz impactos diretos na vida dos tutores – e traz dúvidas com relação a como proceder. É o que aponta a veterinária Rochana Rodrigues Fett, que além de trabalhar com felinos, aborda geriatria e luto animal.
— As pessoas, cada vez mais, têm vínculos fortalecidos com os animais, e ainda temos um estigma de, por ser um animal de estimação, o luto não é reconhecido, mesmo que esse animal muitas vezes seja mais próximo que um parente — diz.
Integrante da comissão de pequenos animais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do RS, ela explica que, ao se deparar com o animal morto, o ideal é encaminhá-lo ao exame de necropsia, para identificar a causa da morte. Na ocasião, o veterinário testa as respostas do sistema do animal. Na ausência de atividades respiratórias e batimentos cardíacos, além da dilatação das pupilas, o óbito é constatado.
— Quando uma pessoa morre, sempre chamamos o médico para testar o óbito. Na medicina veterinária, temos que seguir esse mesmo roteiro. Precisamos investigar a causa da morte. Então, não é porque eu encontrei um animalzinho morto que eu vou imediatamente enterrar ou cremar esse corpo — afirma Rochana.
Cremação é o ideal
O enterro de animais domésticos, aliás, é uma prática proibida. Rochana explica que são poucos os cemitérios destinados a pets espalhados pelo Estado. Fora deles, o enterro traz riscos de contaminação do lençol freático – reservatórios subterrâneos de água doce formados pela infiltração da água da chuva no solo. Por isso, o ideal é sempre proceder com a cremação do animal.
Rochana aponta que existem crematórios específicos para animais, mas alguns destinados a humanos também realizam o procedimento – inclusive de forma coletiva, o que pode diminuir os custos.
Há também a cremação individual em que, de modo semelhante à humana, a família pode realizar uma despedida e, posteriormente, receber as cinzas do animal.
Para famílias de baixa renda, ela aponta que há a alternativa de contatar faculdades de veterinária:
— Uma outra ideia é talvez a família entrar em contato com uma faculdade de veterinária e ver a possibilidade de receber esse corpo para ajudar nas aulas práticas da patologia.
Falta de serviços públicos é desafio
De acordo com a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) de Porto Alegre, a prefeitura realiza apenas a remoção de animais mortos encontrados em áreas públicas.
A pasta reforça que “nos casos de óbito de animais que possuam tutor, a remoção e a destinação adequada do corpo são de sua responsabilidade”. Uma alternativa oferecida pela SMSUrb é a destinação do corpo a aterros sanitários. A orientação é que ele esteja ensacado, nos dias e horários em que ocorre o recolhimento.
A veterinária Rochana avalia que esse não é o procedimento ideal e reforça a necessidade de legislações rigorosas para reduzir o risco de contaminação.
— No caso de famílias com renda desafiadora ou de animais que estão na rua, o ideal seria que as prefeituras tivessem convênios com crematórios que pudessem receber esses animais — aponta Rochana.
*Com orientação e supervisão de Ricardo Düren