Disclosure
Fraude nas Americanas: PF faz nova operação e Justiça determina bloqueio de R$ 54 bilhões em bens
São cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo

A Polícia Federal realiza nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga fraude nas Lojas Americanas. A ação conta com apoio do Ministério Público Federal (MPF).
São cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, conforme a PF. Também foi determinado pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro o sequestro de bens e valores no valor de R$ 54 bilhões em nome dos alvos.
Segundo o g1, a investigação busca identificar se acionistas das Americanas e representantes dos principais bancos privados do país participaram do esquema de manipulação revelado em 2023. A apuração indica que ex-executivos atuaram para inflar os lucros da empresa artificialmente, com a manipulação de balanços e a ocultação de dívidas, valorizando as ações das Americanas na bolsa de valores. Os investigados ainda eram beneficiados com bônus milionários ligados aos resultados financeiros e lucravam com a venda de ações.
"Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico", afirmou a PF. Os documentos reunidos na investigação indicam a possível prática dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa.
Entre os alvos estão:
- Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann, acionistas
- Eduardo Saggioro Garcia, apontado como operador dos sócios
- José de Castro Araújo Rudge Júnior e Gustavo Balassiano, executivos do Itaú Unibanco
- Carlos Henrique Villela Pedras, executivo do Bradesco
- André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo, executivos do Santander
A reportagem tentou contato com a defesa dos investigados, mas não obteve retorno até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto a manifestações.
Fase anterior
Em junho de 2024, foi deflagrada a primeira fase da operação. Na época, o levantamento da PF e do MPF estimavam o valor da fraude em R$ 25 bilhões. O ex-CEO Miguel Gutierrez e uma das diretoras da empresa, Anna Christina Ramos Saicali, foram alvo da ação e chegaram a ser incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, a lista dos mais procurados do mundo.
Na primeira etapa, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão nas residências de ex-diretores, no Rio de Janeiro.
Em janeiro de 2023, as Americanas entraram com pedido de recuperação judicial em caráter de urgência, com uma divida de cerca de R$ 43 bilhões e com 16,3 mil credores. Em novembro, a empresa alegou ser "vítima" de fraude de R$ 25 bilhões e prejuízo de R$ 12,6 bilhões. Em fevereiro de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) homologou o plano de recuperação judicial do grupo.