Chegou o inverno
Frio aumenta a fome? Médico gaúcho explica reação do corpo no inverno
Endocrinologista esclarece mitos sobre apetite e gasto calórico em dias de baixas temperaturas

Com a chegada do inverno neste domingo (21), uma sensação parece se repetir em muitas casas: a vontade de comer mais. Pratos quentes, sopas, massas, chocolates e outras comidas calóricas costumam ganhar espaço no cardápio.
Nesse cenário, também é comum surgir dúvidas sobre o possível aumento do apetite em meio às baixas temperaturas.
Abaixo, veja perguntas e respostas sobre o tema:
E mais:
O frio realmente causa mais fome?
Não necessariamente. Segundo o endocrinologista Fernando Gerchman, que é professor de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), existem evidências de que a ingestão de energia varia ao longo das estações, mas a magnitude desse efeito é pequena.
O que ocorre é uma mudança metabólica para adaptar o organismo ao novo ambiente. Quando a temperatura cai, o corpo trabalha para manter sua temperatura interna entre 35°C e 36°C. Para isso, há um leve aumento do gasto energético, o que pode impulsionar a busca por mais calorias.
— Há dados que sugerem que há aumento da ingestão calórica durante o inverno e preferência por alimentos densos, com predominância de carboidratos e gordura versus proteínas — aponta o médico.

O corpo gasta mais energia para se aquecer?
Depende da exposição. Na vida moderna, em que se vive em áreas urbanas, se usa agasalhos e se frequenta ambientes protegidos, esse aumento no gasto energético diário costuma ser de apenas poucos pontos percentuais.
Estudos de exposição realizados em ambientes controlados, com temperaturas entre 15°C e 19°C por várias horas ao dia, identificaram aumentos no gasto energético de repouso entre 5% e 15%.
Ainda assim, de acordo com Gerchman, os resultados podem variar de acordo com características individuais de cada pessoa, assim como genética e etnia.
Por que tanta gente ganha peso no inverno?
Embora o organismo possa gastar um pouco mais de energia para manter a temperatura corporal no frio, esse aumento geralmente não compensa outros hábitos comuns da estação. Além da tendência de consumir alimentos mais calóricos, muitas pessoas diminuem a frequência dos exercícios físicos.
— O aumento do gasto energético costuma ser menor do que o aumento da ingestão alimentar e a redução da atividade física, o que pode favorecer algum ganho de peso durante o inverno — explica o especialista.
Outro elemento, segundo o médico, é o fator cultural. Existe uma crença popular de que é necessário comer mais para garantir proteção de doenças típicas da estação, como gripes e pneumonias.
No entanto, Gerchman alerta que isso é um mito: o que realmente protege contra essas inflamações e infecções é um sistema imunológico forte, a partir de uma alimentação saudável, rica em nutrientes, e não o excesso de calorias.
Alimentos quentes ajudam no frio?
Sim. O consumo de alimentos e bebidas quentes pode trazer conforto térmico e contribuir para a manutenção da temperatura corporal, especialmente em grupos mais vulneráveis.
Além da alimentação, o uso de roupas adequadas e a permanência em ambientes protegidos do frio integram as principais formas de proteção às baixas temperaturas.
— Isso é especialmente importante para idosos e crianças pequenas, que são mais suscetíveis à desregulação corporal e hipotermia ao se expor ao frio sem a devida proteção térmica — destaca o médico.
Quer mais resultados de GZH nas suas buscas no Google? Torne essa a sua fonte preferencial clicando neste link.
Dicas para se manter saudável no inverno
- Aposte nos aquecidos: sopas e caldos são excelentes, desde que feitos com legumes, verduras e proteínas magras (frango, peixe, lentilha ou feijão)
- Moderação nos acompanhamentos: evite o excesso de gordura saturada, como creme de leite e queijos amarelos
- Vegetais da estação: aproveite alimentos como abóbora, batata-doce, couve, brócolis, couve-flor e espinafre, que estão no seu auge nutricional
- Bebidas quentes: chás de ervas, chá verde e café (preferencialmente sem açúcar) ajudam a manter o corpo aquecido sem adicionar calorias extras
- Frutas: maçã, pera, laranja, bergamota e kiwi são fontes fundamentais de vitamina C e fibras
No Rio Grande do Sul, o pinhão, que é proteico, e o chimarrão, que garante conforto térmico, são aliados contra a "friaca". Além de contribuírem para a saúde física, promovem a socialização e sensação de bem-estar.
— O inverno aumenta o risco de depressão sazonal. O pinhão e o mate podem permitir socialização e ajudar pessoas suscetíveis a não ficarem deprimidas no inverno — conclui Gerchman.