Direto da Redação
Josyane Cardozo: a união da geografia e do futebol
Jornalistas do Diário Gaúcho opinam sobre temas do cotidiano


Não tenho vergonha de admitir: nunca fui boa em geografia. Talvez venha de uma lembrança meio atravessada da escola, quando tive problemas com fusos horários.
Pensando no que escrever, não encontrei assunto mais inevitável do que a Copa do Mundo. Há semanas, ela domina conversas. Durante pouco mais de 30 dias, o mundo parece caber em uma tabela de jogos.
E, de repente, países que mal sabíamos localizar no mapa passam a fazer parte do nosso vocabulário do dia a dia. A Copa tem esse poder estranho de transformar nomes distantes em algo próximo. A gente aprende bandeiras, arrisca pronúncias, descobre conflitos, gestos simbólicos e histórias que vão além do esporte.
Com a ampliação da competição – que passou a contar com 48 seleções – esse movimento também se amplia. E, sem perceber, a gente já está pesquisando sobre um lugar novo, se encantando com um costume diferente ou até incluindo um destino improvável na lista de viagens.
Mas a Copa não é só sobre a geografia. Penso especialmente nos países que ficam de fora, nas torcidas que se reinventam, que escolhem outros times para apoiar. E também naqueles que estreiam, carregando uma esperança que contagia até quem não tem relação com o país.
Quando vê, você está comemorando o gol de um país com menos de 160 mil habitantes contra uma potência do esporte. Está discutindo escalações na padaria ou ouvindo alguém comentar “a Bósnia não foi bem hoje”. Há piadas, provocações, bolões, e, de repente, um senso de comunidade se instala, mesmo entre desconhecidos.
Eu, que nunca fui muito do futebol, me pego ali, envolvida. Não é exatamente pelo jogo, mas pelo que ele provoca. Pela sensação coletiva. É um sentimento que aparece de quatro em quatro anos. E talvez a beleza esteja justamente na lembrança de que, mesmo sem entender muito de geografia (ou de jogo), ainda assim a gente encontra um jeito de fazer parte do mundo.