Coluna da Maga
Magali Moraes: certo ou errado?
Colunista escreve às segundas e sextas-feiras no Diário Gaúcho


Quem você é quando ninguém está olhando? Não precisa responder, talvez você nem tenha parado pra pensar nisso. O que fazemos sem ser observados diz muito sobre quem somos. É um retrato real da nossa personalidade, educação, costumes e crenças. Se não estamos sendo observados, agiremos corretamente? Ou tentaremos tirar alguma vantagem da situação? Fica a cargo da nossa consciência decidir. Tomara que ela saiba o que está fazendo.
O ditado “Achado não é roubado”, tão presente no imaginário coletivo, induz ao erro. Podemos mesmo pegar algo que não é nosso só porque achamos na rua? Se deixaram cair, perderam ou esqueceram, o objeto em questão tem dono. São em locais públicos como parques e restaurantes, também dentro do ônibus, trem, taxi e Uber que o acaso testa a nossa ética. Apropriação indevida, pelo que sei, é crime. Não tem jeitinho brasileiro que justifique.
Travesseiros
Tem um lado mais fácil ao decidir o que é certo ou errado. Nossas manias podem resolver por nós. Esses dias, no supermercado, vi uma cena assim. Um carrinho de compras estacionado no meio do corredor fechava o caminho com outro, cheio de travesseiros. Fui passar entre eles. Uma mulher me olhou, sorriu e se justificou: “A mania de arrumar tudo!” Foi um rompante de eficiência, ela tinha largado suas compras pra juntar travesseiros caídos sem ninguém pedir.
Eu faria o mesmo, e você? No supermercado, vemos embalagens vazias de produtos que alguém comeu e escondeu num canto. Frutas caídas no chão porque quem estava escolhendo não se deu ao trabalho de juntar. Espertinhos furando a fila. O que é errado pra nós pode ser o normal pra outros. Idem o contrário. Na Copa, estamos vendo o exemplo dos japoneses: os jogadores deixando tudo organizado nos vestiários, os torcedores recolhendo seu lixo nas arquibancadas. Certos estão eles.