Estelionato
Mulher presa por fingir ter 12 anos enganou famílias do RS e de outros seis estados; veja o que se sabe
Suspeita de 37 anos enganou família catarinense por 14 meses e foi presa em flagrante na terça-feira (2)

Uma mulher de 37 anos teve a prisão preventiva decretada nesta quarta-feira (3) após confessar ter se passado por uma adolescente de 12 anos, vivendo por 14 meses como filha adotiva de uma família em Joinville, Santa Catarina.
A mulher foi presa em flagrante pela 6ª Delegacia de Polícia de Joinville na ultima terça-feira (2), após denuncia de uma parente levantar a descoberta do crime. Amanda também passará por exames de sanidade mental.
Investigada por estelionato e falsa identidade pela Polícia Civil, Amanda Maria Souza de Oliveira já possuía histórico nessa modalidade de golpes, tendo registros em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Em 2023, ela já havia sido presa em Nova Iguaçu (RJ), após fingir ser uma adolescente para aplicar golpes, insinuando ser vítima de uma rede de prostituição e bruxaria.
Em nota, o advogado de defesa da suspeita, Rafael Luiz Siewert, diz que aguarda a conclusão da perícia técnica (confira a nota na integra).
Como chegou até a família?
Segundo o g1, a golpista se apresentava como "Gabiele" e conheceu as vítimas ao se aproximar de uma comunidade religiosa. Ela relatava ter fugido do Pará por maus-tratos, causando comoção entre a comunidade.
Segundo o delegado responsável pela investigação, Rodrigo Bueno Gusso, a criminosa passou a receber ajuda financeira da família que acabou se envolvendo emocionalmente com a "menina".
— Ela conseguiu sequestrar emocionalmente a família. Era uma família com boa situação financeira, então ela levava uma vida de adolescente muito boa. Durante o período em que estava com a família, ela não recebia dinheiro diretamente, mas tudo que havia de bom e do melhor ela recebia — afirmou.
Acolhimento
A família acolheu a mulher como filha adotiva durante 14 meses, com direito a um quarto com decorações e brinquedos infantis, remédios para emagrecimento e uma festa de comemoração para seu aniversário de "12" anos.
Comportamentos
Na tentativa de sustentar seu personagem, Amanda alegava falsamente ser autista e possuir outras condições clínicas. Para justificar a aparência adulta, ela dizia ter sido forçada a fazer uso de hormônios durante abusos.
Conforme a policia, a golpista tinha comportamentos infantilizados, usava mamadeiras, chupetas e teria um "cheirinho" para dormir, além de afinar a voz, forjar crises de pânico e simular carência para conseguir atenção.
Como as vítimas suspeitaram?
A denuncia ocorreu por parte de uma tia que não acreditava na história contada pela "menina".
— Foi uma tia não distante, mas que não convivia todo dia com ela, que nunca acreditou nessa história de que ela era menor de idade e começou a pesquisar na internet. Descobriu que teve um caso muito parecido no Rio de Janeiro, com o mesmo modus operandi, e contou para o pai adotivo — comentou o delegado.
Comunicado da defesa:
"Fui nomeado defensor dativo da investigada, uma vez que a Defensoria Pública não atua perante o Juízo de Garantias da Comarca de Joinville.
Após a análise dos autos e entrevista com a custodiada, a defesa identificou elementos que justificaram o pedido de realização de exame de sanidade mental. O requerimento foi acolhido pelo Juízo, que determinou a realização de perícia oficial para avaliação de sua condição psíquica.
Neste momento, a investigada permanece à disposição da Justiça em razão da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva e da necessidade de realização do exame pericial já determinado.
A defesa aguarda a conclusão da perícia técnica, que poderá contribuir para o adequado esclarecimento das circunstâncias relacionadas ao caso e para a adoção das medidas processuais cabíveis.
Por respeito ao andamento das investigações e aos direitos da investigada, não serão prestados comentários sobre o mérito dos fatos neste momento.
Rafael Luiz Siewert
OAB/SC 30.361"