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"Precisamos que as pessoas coloquem a doação na sua agenda": especialistas explicam a importância da doação de sangue

Às vésperas do Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado no dia 14 de junho, profissionais da saúde explicam os desafios que afastam pessoas de praticar esse gesto com regularidade.

10/06/2026 - 14h48min

Atualizada em: 10/06/2026 - 14h51min


Breno Bauer*
Breno Bauer*
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Bruno Todeschini/Agencia RBS

Há cerca de 30 anos, Marli Paz Machado, 67 anos, doa sangue no Hemocentro do Estado do Rio Grande do Sul (Hemorgs), na Avenida Bento Gonçalves, 3.722, em Porto Alegre. Ela conta que, uma vez a cada 90 dias, três vezes ao ano, acorda, se alimenta, toma bastante água e, depois do almoço, doa sangue:

— Eu sempre quis doar, mas sempre me disseram que eu não podia porque tinha artrose. Um dia, vim ao Hemocentro, conversei com o médico, que disse: “A gente vai fazer a coleta e ver se tu podes doar”. E faço doação desde então. Senti que perdi muito tempo podendo doar sem saber, porque eu não tinha informação.

Responsável pelo setor de captação de doadores do Hemorgs, a enfermeira Ana Dagord aponta que, ainda hoje, a desinformação é um dos principais impeditivos para que a população seja mais engajada na doação de sangue.

— Há pessoas muito conscientes, que fazem isso regularmente, que colocaram na sua agenda, mas há pessoas que têm mitos e medos e que não vêm por causa disso — diz.

Ana aponta que, no conjunto desses fatores, destacam-se o medo de ficar com anemia, de engrossar ou afinar o sangue (ambos infundados) e até da própria agulha.

Não há risco de anemia

O mito da anemia – baixa concentração de glóbulos vermelhos no sangue — após a doação é um velho conhecido de profissionais da saúde. O médico hematologista Claudio da Cruz Baungarten, diretor do banco de sangue Hemovida, da Capital, aponta que isso não é motivo de preocupação.

— A quantidade de sangue captada é inócua: são cerca de 450ml, um percentual seguro. Em algumas horas, o corpo já repõe esse volume — diz ele.

Para driblar a desinformação e atrair novos doadores, a Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu o dia 14 de junho como o Dia Mundial do Doador de Sangue. Para Ana, falar sobre o assunto é fundamental.

— Não é um assunto pelo qual as pessoas se interessem muito. Só quem passou por uma situação assim sabe a importância que a doação tem — diz. 

De acordo com ela, o ideal seria que de 2% a 3% da população fosse doadora de sangue. Porém, menos de 1,4% das pessoas ocupam essa posição. Para impulsionar esse cenário, Claudio reforça a importância da busca de “doadores fiéis” por meio de campanhas e busca ativa. 

A cultura da doação

A enfermeira Ana ressalta que a maior parte das doações ainda ocorre impulsionada pela conscientização sobre a importância do ato.

— Existem doações dirigidas, quando familiares e pacientes vêm doar para pessoas que estão no hospital. Mas ainda temos mais doações voluntárias. A maioria das pessoas vem pela sensibilização de saber da importância de ser doador de sangue, por já ter passado por situações como mãe ou pai precisarem — explica.

Ela reforça que a doação deve ser um gesto “voluntário, altruísta, sem esperar algo em troca”. Para ela, o pensamento que deve incentivar a doação é a consciência de que não existe substituto para o sangue. 

Além das iniciativas individuais, Ana destaca a atuação de grupos “estimuladores” de novos doadores. Segundo ela, assim como aqueles que arrecadam alimentos ou agasalhos, essas organizações exercem papel importante na formação de uma cultura de solidariedade.

Aumento da demanda

Ana reforça que houve crescimento na procura por doações de sangue no último ano, causado por uma maior quantidade de cirurgias, como transplantes. 

— É uma demanda positiva, mas precisamos ter uma movimentação, que as pessoas venham doar, que coloquem a doação na sua agenda.

Perguntas e respostas

Como funciona a doação?

/// O processo começa com cadastro (nome, documento e contato). Depois, o doador passa por triagem e entrevista sobre saúde, alimentação, uso de medicamentos e possíveis riscos. 

Quanto tempo demora?

/// Cerca de 35 minutos no total (entre cadastro, triagem, coleta e lanche). A coleta em si leva aproximadamente cinco minutos.

Preciso estar de jejum?

/// Pelo contrário, é necessário estar bem alimentado e hidratado.

O que impede a doação?

/// Doenças como sífilis, HIV, HTLV e hepatites. 

Qual a idade mínima?

/// De 16 a 60 anos para a primeira doação. Menores de 18 precisam de autorização. Quem começa antes dos 60 pode doar até os 69.

Há limite de doações por ano?

/// Sim. Homens podem doar a cada 60 dias (até quatro vezes em 12 meses). Mulheres, a cada 90 dias (até três vezes em 12 meses).

Doações no Hemorgs

/// O Hemorgs fica na Avenida Bento Gonçalves, 3.722. Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.

/// Para tirar outras dúvidas pontuais e agendar doações, basta entrar em contato pelo WhatsApp: (51) 98405-4260. O tempo de resposta é muito rápido.

*Com orientação e supervisão de Émerson Santos


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