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Afinal, o que deu errado? Veja três motivos para a eliminação da Seleção nas oitavas da Copa

Mais uma vez, o Brasil fica pelo caminho em um Mundial para uma equipe europeia

06/07/2026 - 06h43min


Marcelo Vicente
Marcelo Vicente
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CHARLY TRIBALLEAU/AFP
Haaland comandou o time norueguês dentro e fora do campo.

O Brasil nunca havia ficado seis Copas do Mundo sem levantar a taça mais importante do futebol. A derrota para  Noruega determinou a maior seca da história da Seleção que, no imaginário de muitos fãs, segue sendo a do futebol-arte.

Ocorre que essa afirmativa ficou no passado. Quando não é um amargo 7 a 1 para a Alemanha, em casa, em uma semifinal, são as eliminações para seleções europeias emergentes, em fases anteriores da competição.

Depois de Bélgica (2018) e Croácia (2022), desta vez foi a Noruega nas oitavas de final do Mundial da América do Norte. Comandados pelo carismático goleador Haaland, os noruegueses foram frios e implacáveis e acabaram com o sonho do hexa.

E por que este tem sido um roteiro repetido para o futebol brasileiro? Zero Hora elencou os motivos que levaram a Seleção a cair novamente em uma Copa do Mundo.

Pouco de tempo para Ancelotti e erros nas escolhas

Foto por PEDRO UGARTE //AFP
Ancelotti não conseguiu sucesso na sua primeira Copa.

Não é uma exceção para o Brasil permanecer com o mesmo técnico durante grande parte de um ciclo de Copa do Mundo. Dunga, de 2006 a 2010, e Tite, de 2016 a 2022, são os exemplos mais recentes.

No caso de Ancelotti, o italiano estreou como treinador da Seleção em julho de 2025, menos de um ano antes do primeiro duelo na Copa de 2026. Já foi definido pela CBF que o técnico permanecerá para o ciclo de 2030. O que se espera é que, com mais tempo, Carletto tenha condições de promover uma renovação na Seleção

As mudanças na escalação durante a Copa e até a polêmica convocação de Neymar indicam a necessidade de uma reavaliação do treinador para o próximo ciclo. Ficou claro, por exemplo, que tirar Martinelli e Rayan para colocar Neymar e Danilo Santos reduziu o poder de fogo da Seleção no ataque. Com isso, a Noruega conseguiu circular mais a bola até chegar aos gols da vitória, marcados por Haaland.

Falta de protagonistas e erros individuais

Jewel SAMAD/AFP
Choro e desolação ao final da partida.

Um dos grandes debates em torno da Seleção é sobre a safra de jogadores que o Brasil produziu nas últimas décadas. Protagonista no Real Madrid, Vini Jr. é a principal referência técnica do time brasileiro. Apesar disso, a impressão é de que, contra a Noruega, faltou aquele algo a mais que se espera de um jogador decisivo. 

O mesmo vale para Alisson, destaque há anos no gol do Liverpool, mas que na Seleção não consegue fazer o "milagre" típico dos grandes goleiros em Copas do Mundo.

E o que dizer de Bruno Guimarães? O meia jogou como nunca na partida diante do Japão, porém, contra a Noruega, teve a oportunidade de se consagrar em uma cobrança de pênalti e desperdiçou a chance.

Quanto à linha de defesa, Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos lutaram e guerrearam muito, mas foram envolvidos pelos jogadores de frente da Noruega. O primeiro gol explica bem a superioridade técnica de Haaland sobre Magalhães.

Noruega: a seleção emergente da vez

Jewel SAMAD/AFP
Festa viking sobre o Brasil.

Virou rotina em Copas do Mundo o Brasil ser eliminado por um time europeu. Porém, se antes a Seleção era batida por equipes como Itália, Alemanha, França e Holanda, as últimas três Copas foram marcadas por eliminações para seleções consideradas de segundo escalão no futebol mundial. 

Em 2018, na Rússia, a Bélgica da geração de De Bruyne, Courtois, Hazard e cia. derrotou o Brasil nas quartas de final. Quatro anos depois, no Catar, foi a vez da Croácia de Modric tirar a Seleção do Mundial. 

Fora as coincidências, a Noruega é um time forte e demonstrou isso na partida realizada neste domingo. Para se ter uma ideia da superioridade dos noruegueses, segundo dados da Fifa, o Brasil teve apenas 32% de posse de bola nos 90 minutos. Os europeus ficaram 60% do tempo com a bola, e, em 8% do tempo, ela ficou em disputa.

Odegaard, meia do Arsenal, deixou os defensores brasileiros confusos com dribles e passes, enquanto Haaland, do Manchester City, assumiu o papel de carrasco do Brasil, tal como Paolo Rossi, Caniggia e Zidane em outras edições de mundial, ao marcar dois gols.

Haaland, aliás, é um dos artilheiros da Copa do Mundo com sete gols, ao lado de Mbappé e Messi.

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