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Alimentos ultraprocessados aumentam em 28% os casos de dor de dente em adolescentes, aponta estudo

Pesquisa de professores da UFPel e da UCPel avaliou o impacto dos doces, refrigerantes e fast-foods na saúde bucal de adolescentes de 13 a 17 anos

06/07/2026 - 15h33min


Douglas Dutra
Douglas Dutra
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Catalin Pop/stock.adobe.com
Análise utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, que ouviu mais de 124 mil estudantes de todo o país.

Adolescentes que consomem alimentos ultraprocessados com maior frequência apresentam maior prevalência de dor de dente, aponta um estudo realizado por pesquisadoras da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Publicado nesta segunda-feira (6) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, o trabalho identificou que o consumo frequente de refrigerantes, doces e fast-food está associado ao aumento dos casos de dor dentária entre jovens de 13 a 17 anos.

A pesquisa analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, que ouviu mais de 124 mil estudantes de todo o país. Os resultados mostram que o consumo elevado de refrigerantes está associado a um aumento de 28% na prevalência de dor dentária. Entre os adolescentes que consomem doces com maior frequência, o aumento é de 27%, enquanto o consumo de fast-food eleva a prevalência em 22%.

Segundo o levantamento, 98% dos estudantes relataram ter consumido algum alimento ultraprocessado nas 24 horas anteriores à pesquisa. Entre os adolescentes que afirmaram ter sentido dor de dente — cerca de 21,5% da amostra —, a incidência foi maior entre aqueles que consumiam esses alimentos com mais frequência ao longo da semana.

A odontopediatra Nathalia Ribeiro, professora da UFPel e uma das autoras do estudo, explica que, embora os ultraprocessados façam parte da rotina de muitos adolescentes, os resultados reforçam a necessidade de incentivar hábitos alimentares mais saudáveis.

— É importante termos esses dados para pensar em como vamos levar a conscientização sobre uma alimentação saudável para a população — afirma.

Embora a relação entre o consumo de açúcar e o desenvolvimento de cáries já seja conhecida, Nathalia ressalta que os efeitos dos ultraprocessados sobre a saúde bucal ainda recebem pouca atenção.

— São alimentos que têm uma composição de outros ingredientes além do açúcar, que favorecem a permanência deles na cavidade bucal por mais tempo e fazem com que sejam digeridos mais lentamente — explica.

Para a pesquisadora, os resultados também podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas aos adolescentes, faixa etária que, segundo ela, ainda recebe menos atenção em ações de promoção da saúde.

— Muitas políticas públicas existentes são direcionadas às crianças e aos adultos. Nem sempre os adolescentes têm essa visibilidade — avalia.

Impactos vão além da saúde bucal

Além do desconforto, a dor dentária pode comprometer diferentes aspectos da vida dos adolescentes. Segundo Nathalia, o problema afeta a qualidade do sono, o desempenho escolar e pode gerar impactos sociais, econômicos e sobre o sistema de saúde.

— Se conseguirmos que as pessoas tenham uma alimentação saudável, evitamos muitos problemas. Além disso, os custos para a saúde também serão menores — destaca.

Além de Nathalia Ribeiro, o estudo foi desenvolvido pelos professores Eduardo Castilhos e Mariana Cadermatori, da UFPel, e por Sarah Karam, da UCPel.


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