Sistema de proteção
Após falhas na enchente de 2024, todas as casas de bombas de Porto Alegre estão aptas a operar, diz Dmae
Estruturas que empurram água da chuva acumulada na cidade para fora dos diques passam atualmente por requalificação


As 23 Estações de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebaps) que integram o sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre, conhecidas como casas de bombas, estão aptas para entrar em funcionamento em caso de necessidade. Conforme o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), a operação ocorre sem intercorrências desde o início do atual evento climático que atinge o Rio Grande do Sul.
A função das estruturas é bombear para fora dos diques de proteção a água da chuva acumulada na cidade. A ação auxilia o funcionamento do sistema de drenagem e reduz os riscos de alagamentos e inundações urbanas.
O Dmae informa que as 23 Ebaps, somadas, têm capacidade para escoar 183 mil litros de água da chuva por segundo. Neste momento, as bombas em operação garantem a vazão de 173 mil litros por segundo, o que representa cerca de 94% da potência total.
Os seis pontos percentuais que faltam representam bombas e motores que estão em manutenções permanentes e rotativas, cujo objetivo é garantir a saúde do parque de drenagem, diz o Dmae.
Conforme o departamento, a operação das 23 casas de bombas em 94% da potência total instalada é o maior índice já registrado, suficiente para garantir o funcionamento adequado.
O órgão também afirmou que, no momento, “não há indicativo ou alerta de cheia na região atendida pelo sistema de proteção contra cheias” de Porto Alegre.
Revitalização das estruturas
Durante a histórica enchente de maio de 2024, 19 das 23 casas de bombas pararam de funcionar por falta de energia ou alagamento das instalações no espaço interno. O fato contribuiu para a inundação da cidade. Depois do evento, o Dmae deu início a um plano de investimentos para qualificar o sistema.
Confira abaixo as obras já concluídas, as que estão em andamento e as que ainda não iniciaram.
Obras concluídas
- Até julho de 2026, o departamento concluiu a instalação de sensores da telemetria nas estações. O sistema permite o monitoramento permanente de nível dos poços, indicador que define o acionamento dos motores. A ferramenta garante o acompanhamento remoto das casas de bombas.
- Dez Ebaps foram equipadas com geradores de energia, incluindo estações que atendem parte dos bairros São Geraldo, Humaitá, Santa Maria Goretti, Vila Nova Brasília, Menino Deus, Cidade Baixa e Vila Hípica. Os geradores mantêm o funcionamento do sistema de drenagem mesmo quando é interrompido o fornecimento regular de energia elétrica.
- Também foram instalados Quadros de Transferência Automática (QTAs): eles acionam os geradores de forma instantânea em caso de oscilação ou queda de energia.
- Oito casas de bombas (Ebaps 1, 2, 3, 4, 6, 13, 17 e 18) receberam reforços na proteção contra o retorno das águas dos rios através dos poços das estruturas. O trabalho foi realizado com a instalação de novas válvulas e tampas herméticas. As medidas pretendem manter a operação das estações mesmo quando os rios ultrapassarem a cota de inundação.
Obras em andamento
- Empresas que venceram licitações estão elaborando os projetos das obras para o “aumento da resiliência climática” nas Ebaps de número 5, 6, 8, 10, 12, 17, 18 e 20. Com previsão de conclusão em abril de 2027, as melhorias incluem qualificação das estruturas prediais das casas de bombas e novos equipamentos. Bombas verticais serão substituídas por modelos submersíveis, painéis de comando serão elevados e geradores de energia serão instalados de forma permanente.
- Outra frente em andamento prevê a operação de uma rede de mais de 41 quilômetros de extensão de dupla alimentação de energia elétrica em 37 estações do Dmae, incluindo as casas de bombas. A intenção é garantir o funcionamento ininterrupto das unidades. O Dmae indica que a rede de dupla alimentação deve estar finalizada até novembro de 2026.
Obras que não iniciaram
- Obras para o “aumento da resiliência climática” nas Ebaps de número 1, 2, 3, 4, 9, 13, 14, 15, 16 e 21. Não há previsão para concluir essa etapa, mas a sua finalidade também será substituir as bombas verticais por modelos submersíveis, elevar painéis de comando e instalar geradores de energia de forma permanente.